Center News: Quarta feira, 26 de Agosto de 2026
Boa noite! O mercado encerrou a quarta feira em compasso de espera. No B de desinflação, mas a composição do índice manteve cautela sobre a velocidade dos próximos cortes da Selic. Nos Estados Unidos, a inflação ainda elevada pressionou os Treasuries e limitou o desempenho das bolsas.
Brasil
O Ibovespa terminou praticamente estável, próximo de 174.586 pontos, depois de cinco sessões consecutivas de alta. O dólar encerrou na região de R$ 5,15, com leve valorização frente ao real.
O principal dado doméstico foi o IPCA 15 de agosto, que registrou deflação de 0,40%, ante expectativa de queda de aproximadamente 0,30%. Em 12 meses, a inflação desacelerou para 4,24%, voltando para dentro do intervalo de tolerância da meta. Energia elétrica, alimentos e transportes foram os principais responsáveis pelo recuo.
Apesar do número cheio favorável, componentes ligados a serviços e núcleos ainda mostraram alguma resistência. Por isso, a curva de juros chegou a fechar durante a manhã, mas devolveu parte do movimento ao longo do pregão. O DI para janeiro de 2028 terminou em 13,815%, praticamente estável, enquanto o DI para janeiro de 2035 ficou em 14,44%, com recuo de aproximadamente 2 pontos base.
Para o investidor brasileiro, o dado reforça a possibilidade de continuidade do ciclo de redução da Selic, atualmente em 14% ao ano, mas sem eliminar a necessidade de cautela com a inflação de serviços e com o cenário externo.
Internacional
Nos Estados Unidos, o PCE de julho mostrou inflação anual de 3,7%, ainda distante da meta de 2% do Federal Reserve. O dado aumentou a cautela do mercado com a trajetória dos juros americanos. A segunda leitura do PIB do segundo trimestre apontou crescimento anualizado de 1,5%, abaixo das projeções de aproximadamente 1,8%.
Os Treasuries reagiram com alta das taxas. O rendimento do título de 10 anos terminou próximo de 4,66%, enquanto o de 2 anos ficou ao redor de 4,22%. O movimento reduziu o espaço para uma tomada mais agressiva de risco.
Em Wall Street, o S&P 500 encerrou praticamente estável, com queda inferior a 0,02%. O Dow Jones recuou 0,21% e o Nasdaq perdeu 0,08%. O mercado também permaneceu atento ao balanço da Nvidia, previsto para depois do fechamento e considerado um importante termômetro para as expectativas envolvendo inteligência artificial e investimentos em tecnologia.
O petróleo voltou a recuar com os sinais de negociação envolvendo Irã e Omã e a possibilidade de redução das tensões em torno do Estreito de Hormuz. O movimento contribuiu para moderar pressões inflacionárias globais, mas pesou sobre empresas ligadas à commodity.
Empresas & Setores
Oncoclínicas esteve entre os destaques após decisão da CVM determinar que a Centaurus Capital realize uma oferta pública de aquisição de ações da companhia. O episódio adiciona um novo capítulo à disputa societária envolvendo a empresa.
Na Braskem, investidores acompanharam o avanço das negociações envolvendo sua recuperação extrajudicial. Detentores de títulos internacionais lideraram o apoio inicial ao plano de reestruturação de aproximadamente US$ 11 bilhões em dívidas.
Outro ponto relevante foi a decisão do Morgan Stanley de reduzir a recomendação para ações brasileiras, citando riscos fiscais, eleitorais e sinais de desaceleração da economia. Segundo a instituição, setores ligados a energia e agronegócio permanecem relativamente mais sustentados, enquanto segmentos dependentes da atividade doméstica exigem maior seletividade.
Insights da nossa mesa
O pregão trouxe uma combinação importante para a estratégia dos próximos meses. A inflação brasileira continua mostrando sinais de melhora, o que favorece ativos sensíveis à queda dos juros, mas a resistência de alguns componentes impede uma leitura excessivamente otimista.
Ao mesmo tempo, os juros americanos seguem elevados e continuam funcionando como limite para a valorização de ativos de risco. Nesse cenário, diversificação, qualidade de crédito e seletividade na renda variável ganham ainda mais relevância.
Para o investidor brasileiro, a assimetria começa a melhorar em determinados ativos domésticos, especialmente se o processo de desinflação permitir novos cortes da Selic. A evolução fiscal, o cenário eleitoral e o comportamento dos juros globais, porém, continuarão determinantes para a direção dos mercados.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.