Center News: Terça feira, 15 de setembro de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a sessão em alta, sustentado principalmente pelo avanço do petróleo e das ações da Petrobras, enquanto o ambiente externo permaneceu mais defensivo diante da forte elevação dos juros americanos e da expectativa pelas decisões de política monetária desta quarta feira.
Brasil
O Ibovespa avançou cerca de 0,6%, encerrando próximo de 186,6 mil pontos. O movimento representou uma recuperação parcial após a queda de 0,91% registrada na sessão anterior. O dólar comercial terminou próximo de R$ 5,15, com leve valorização, em uma sessão marcada também por atuação do Banco Central no mercado de câmbio.
No mercado de juros, a atenção permaneceu concentrada na decisão do Copom prevista para quarta feira, 16 de setembro. A Selic está atualmente em 14% ao ano e parte dos economistas espera continuidade do ciclo de flexibilização monetária. A XP destacou antes da reunião que fatores domésticos poderiam permitir a continuidade desse processo.
A atividade econômica trouxe um sinal adicional de desaceleração. As vendas no varejo recuaram 0,8% em julho frente ao mês anterior, desempenho mais fraco que a expectativa de queda de 0,2%. Na comparação anual, houve crescimento de 1,2%. O dado reforçou a leitura de perda de ritmo da demanda doméstica.
Investidores também acompanharam os acontecimentos no Supremo Tribunal Federal e seus possíveis reflexos institucionais e eleitorais. Esse componente permaneceu como uma fonte adicional de volatilidade para os ativos brasileiros durante a sessão.
Internacional
Wall Street encerrou o dia no campo negativo. O S&P 500 caiu aproximadamente 0,4%, o Dow Jones recuou 0,6% e o Nasdaq perdeu cerca de 0,8%. A pressão veio principalmente da combinação entre petróleo mais caro e juros longos elevados nos Estados Unidos.
O rendimento do Treasury de dez anos encerrou próximo de 5%, região não observada desde 2007 segundo os dados de mercado acompanhados durante a sessão. A alta dos juros americanos aumenta o custo de capital global e tende a reduzir o apetite por ativos de maior risco, especialmente em mercados emergentes.
O petróleo voltou ao centro das atenções. O Brent encerrou próximo de US$ 108,75 por barril, refletindo preocupações com oferta e tensões no Oriente Médio. A valorização da commodity amplia os riscos inflacionários globais justamente às vésperas da decisão do Federal Reserve.
O Federal Reserve divulga sua decisão de juros nesta quarta feira. A expectativa predominante entre analistas acompanhados pelo mercado é de aumento de 0,25 ponto percentual, embora a comunicação sobre inflação, petróleo e trajetória futura dos juros possa ser tão relevante quanto a própria decisão.
Empresas & Setores
Petrobras esteve entre os principais vetores positivos do Ibovespa, com valorização próxima de 4% em parte da sessão, acompanhando a alta internacional do petróleo. A companhia também esteve no radar após anúncio envolvendo acordo com a Sempra Infrastructure.
Vale operou sob pressão diante do noticiário envolvendo uma ação do Ministério Público Federal relacionada a questões ambientais em Minas Gerais, enquanto o setor de mineração continuou sensível ao comportamento das commodities metálicas.
Fora do pregão específico desta terça feira, a Bloomberg Línea destacou que o ambiente de juros elevados e avaliações deprimidas continua estimulando processos de fechamento de capital na B3. Segundo levantamento citado pela publicação, 33 empresas deixaram a bolsa desde 2024.
Insights da nossa mesa
A sessão reforçou uma dinâmica que deve permanecer importante no curto prazo. O mercado brasileiro está sendo influenciado simultaneamente pela desaceleração da atividade doméstica, pela trajetória da Selic, pelo cenário institucional e pelo aumento dos juros globais.
O dado mais fraco do varejo amplia os sinais de perda de ritmo da economia brasileira e oferece argumento para flexibilização monetária. Ao mesmo tempo, petróleo acima de US$ 100 e Treasury próximo de 5% tornam o cenário internacional mais desafiador e podem limitar o espaço para movimentos mais agressivos dos bancos centrais.
Com Copom e Federal Reserve concentrados nesta quarta feira, a atenção do investidor deve permanecer voltada não apenas às decisões de juros, mas principalmente às sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
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Fontes consultadas nesta edição: InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, AP e MarketWatch.
