Night Call – 17/09/2026

Night Call – 17/09/2026

Center News Night Call | Quinta feira, 17 de setembro de 2026

Boa noite! O mercado brasileiro encerrou uma sessão de forte volatilidade, marcada pela repercussão das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos e pela renovação das preocupações fiscais ao longo do pregão. O exterior mais positivo ajudou o Ibovespa a recuperar as perdas da manhã e terminar no campo positivo.

Brasil

O Ibovespa fechou em alta de 0,24%, aos 185.992 pontos. O índice chegou a recuar 1,24% na mínima, aos 183.242 pontos, mas recuperou terreno durante a tarde e alcançou máxima de 186.885 pontos. No acumulado de 2026, o índice registra valorização de 15,4%.

O dólar comercial terminou em queda de 0,42%, cotado a R$ 5,13. Durante a sessão, a moeda oscilou entre R$ 5,125 e R$ 5,177. O movimento acompanhou uma leve perda de força da moeda americana no exterior.

Os juros futuros começaram o dia em queda após o Copom reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, mas passaram a incorporar maior prêmio ao longo da sessão diante das discussões fiscais. A decisão do Banco Central foi unânime e manteve em aberto os próximos passos da política monetária. A XP avalia que o comunicado preservou espaço para novos cortes, embora o Banco Central continue enfatizando cautela.

A principal fonte de volatilidade doméstica foi o anúncio de reajuste de aproximadamente 15% no Bolsa Família, elevando o benefício mínimo de R$ 600 para R$ 691. Segundo informações divulgadas pelo governo e reportadas pelo InfoMoney, o impacto estimado é de R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões somados em 2027 e 2028. A reação inicial do mercado foi negativa, refletindo maior atenção à trajetória das despesas públicas.

Internacional

Wall Street recuperou parte das perdas da sessão anterior. O Dow Jones avançou 0,61%, o S&P 500 ganhou 1,14% e o Nasdaq subiu 1,69%. O movimento ocorreu com redução dos rendimentos dos Treasuries e queda do petróleo, apesar da postura mais restritiva sinalizada pelo Federal Reserve.

Na quarta feira, o Fed elevou sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% e 4,00%, na primeira alta desde 2023. As projeções da autoridade monetária indicaram possibilidade de novos aumentos, mantendo os juros americanos como ponto central para a precificação global de ativos.

No Reino Unido, o Banco da Inglaterra manteve os juros em 3,75%. A decisão ocorreu por seis votos a três, com três membros defendendo elevação para 4,00%. A autoridade também demonstrou preocupação com a inflação, que pode superar 4% no início de 2027.

Nas commodities, o Brent encerrou em queda de 0,95%, a US$ 104,82 por barril, enquanto o WTI recuou 0,51%, para US$ 101,91. A acomodação do petróleo contribuiu para aliviar parte da pressão inflacionária global observada nas últimas semanas.

Empresas & Setores

Vale esteve entre os principais suportes do Ibovespa durante a tarde, avançando cerca de 2,4% perto do fechamento. Petrobras também operou no campo positivo no fim da sessão, com PETR4 subindo aproximadamente 0,5%.

Casas Bahia ganhou destaque com valorização próxima de 12% nos minutos finais. Na direção oposta, empresas ligadas ao consumo discricionário e à construção apresentaram pressão, com Magazine Luiza recuando cerca de 3%, Cury caindo aproximadamente 5% e Tenda também perto de 5% de baixa durante a tarde.

O setor de papel e celulose apresentou comportamento mais favorável, com Suzano e Klabin operando em alta durante a tarde. O movimento ajudou na composição positiva do índice, ao lado de Vale e parte das ações financeiras.

Insights da nossa mesa

A sessão reforçou a existência de duas forças relevantes para os ativos brasileiros. De um lado, o ciclo de redução da Selic tende a melhorar gradualmente as condições financeiras domésticas e pode beneficiar segmentos mais sensíveis ao custo de capital. Do outro, a percepção sobre a política fiscal continua capaz de alterar rapidamente os prêmios exigidos em juros, câmbio e Bolsa.

Com o Fed caminhando em direção oposta ao Banco Central brasileiro, o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos também ganha importância adicional. Para o investidor, o cenário reforça o valor da diversificação entre renda fixa, Bolsa e ativos internacionais, principalmente enquanto juros globais, inflação e risco fiscal continuam gerando volatilidade.

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Fontes: InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.

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