Center News | Night Call | Segunda feira, 10 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a segunda feira em leve queda, com pressão do exterior e da curva de juros, enquanto a forte valorização do petróleo sustentou ações ligadas à commodity. Nos Estados Unidos, as bolsas recuaram antes de uma semana importante para os dados de inflação.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão aos 172.179,93 pontos, queda de 0,19%, após oscilar entre aproximadamente 171,5 mil e 172,9 mil pontos durante a sessão. Petrobras e Vale ajudaram a limitar as perdas, enquanto diversos nomes ligados ao consumo doméstico apresentaram desempenho mais fraco.
O dólar comercial avançou 0,53%, para R$ 5,10, refletindo maior cautela nos mercados globais. Na renda fixa, a curva de juros apresentou pressão moderada. O contrato para janeiro de 2029 ficou próximo de 14,06%, enquanto janeiro de 2031 terminou ao redor de 14,29%.
No cenário macroeconômico, o Boletim Focus trouxe nova melhora marginal nas expectativas de inflação. A projeção para o IPCA de 2026 caiu de 5,03% para 5,02%, marcando a sexta semana consecutiva de redução. A expectativa para a Selic ao final do ano permaneceu em 13,75%. O movimento reforça a percepção de desinflação gradual, embora as expectativas ainda estejam acima do centro da meta.
O ambiente de juros permanece relevante para a alocação local. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic para 14,00%, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária, mas mantendo uma postura cautelosa diante dos riscos inflacionários e fiscais.
Internacional
Wall Street terminou a sessão em terreno negativo. O S&P 500 caiu 0,06%, o Dow Jones recuou 0,11% e o Nasdaq perdeu 0,32%, depois dos fortes ganhos registrados na semana anterior. O mercado começa a direcionar as atenções para os próximos indicadores de inflação dos Estados Unidos, que serão importantes para calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
O petróleo foi um dos principais destaques globais. O Brent registrou valorização próxima de 5%, com investidores acompanhando as incertezas relacionadas à reabertura do Estreito de Ormuz e às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã. A possibilidade de restrições adicionais ao fluxo global de petróleo voltou a elevar o prêmio geopolítico da commodity.
Os Treasuries também permaneceram no radar. Pela manhã, o rendimento do título americano de dez anos operava próximo de 4,67%, em uma semana particularmente sensível aos dados de inflação e atividade econômica dos Estados Unidos.
Empresas & Setores
O setor de petróleo foi o principal ponto de sustentação da bolsa brasileira. PRIO avançou 6,60%, Petrobras ON ganhou 3,33% e Petrobras PN também subiu 3,33%, acompanhando a forte valorização internacional do petróleo. Vale avançou 1,28%.
A Embraer ganhou 2,31% e esteve entre os destaques positivos do pregão, em dia marcado pela divulgação dos números do segundo trimestre. A companhia já havia apresentado 65 entregas no período, sendo 20 aeronaves comerciais e 45 jatos executivos, com a divisão de Defesa apresentando expansão relevante de sua carteira de pedidos.
Na ponta negativa, ações mais expostas ao ambiente doméstico sofreram. Cosan caiu 5,99%, Vamos recuou 5,52%, Yduqs perdeu 5,28%, Hapvida caiu 4,36% e Raia Drogasil recuou 4,15%. O movimento reforçou a diferença entre empresas beneficiadas pelo avanço das commodities e setores mais sensíveis à atividade econômica e aos juros.
Insights da nossa mesa
O pregão desta segunda feira mostrou um mercado dividido entre dois vetores importantes. De um lado, petróleo mais forte sustentou empresas ligadas a commodities e impediu uma queda mais acentuada do Ibovespa. Do outro, dólar mais alto, juros futuros pressionados e cautela em Wall Street limitaram o apetite por risco.
No Brasil, a sequência de revisões para baixo nas expectativas de inflação é construtiva e mantém viva a perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic. Ainda assim, o nível elevado dos juros e os riscos fiscais recomendam seletividade na exposição à bolsa.
No exterior, a inflação americana volta ao centro das atenções. Novos sinais de desaceleração dos preços podem favorecer ativos de risco e mercados emergentes, enquanto uma leitura mais pressionada tende a provocar nova abertura das taxas dos Treasuries e fortalecimento do dólar.
Para o investidor brasileiro, o cenário continua favorecendo diversificação entre renda fixa, ativos de qualidade na bolsa e exposição internacional, evitando decisões concentradas em movimentos de curto prazo.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, Banco Central do Brasil, B3 e Associated Press.