Night Call – 20/08/2026

Night Call – 20/08/2026
Center News | Night Call | Quinta feira, 20 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado encerrou a quinta feira em clima de cautela. A forte valorização do petróleo, a retomada da pressão sobre os juros dos Treasuries e as preocupações com a trajetória da dívida americana limitaram o apetite por risco, enquanto Petrobras ajudou a sustentar o Ibovespa no campo positivo.
Brasil
O Ibovespa terminou o pregão praticamente estável, com avanço de 0,06%, aos 167.927 pontos. O índice encontrou suporte principalmente nas ações da Petrobras, beneficiadas pela disparada do petróleo, mas o ambiente externo mais defensivo impediu uma recuperação mais consistente.
O dólar comercial avançou cerca de 0,41%, encerrando próximo de R$ 5,19. A valorização da moeda americana refletiu o aumento da aversão ao risco, as tensões no Oriente Médio e a volta da pressão sobre os rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos.
A curva de juros brasileira também sentiu o movimento dos Treasuries. O alívio observado ontem perdeu força depois que os rendimentos americanos voltaram a subir, reforçando a sensibilidade dos ativos locais ao cenário fiscal dos Estados Unidos e às perspectivas para a política monetária global.
O petróleo foi um dos principais vetores do pregão. O Brent chegou próximo de US$ 95 por barril, com alta superior a 3%, diante da nova escalada das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã e dos riscos para o fluxo de energia pelo Estreito de Hormuz.
Internacional
Wall Street encerrou em forte queda. O S&P 500 recuou 0,87%, o Dow Jones caiu 1,32% e o Nasdaq perdeu 1%. O mercado reagiu à combinação de petróleo mais caro, juros longos elevados e novas preocupações com a dívida pública americana.
O Tesouro dos Estados Unidos anunciou a ampliação das operações de recompra de títulos de longo prazo, elevando o volume máximo de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação em determinados vencimentos. A medida trouxe alívio inicial aos Treasuries, mas os rendimentos voltaram a subir nesta quinta feira diante das dúvidas sobre a sustentabilidade fiscal americana. A dívida federal superou US$ 40 trilhões.
A ata mais recente do Federal Reserve também permanece no radar. O documento mostrou que o apoio a uma política monetária mais restritiva foi maior do que os três votos dissidentes da última reunião sugeriam, reforçando a percepção de que a inflação ainda limita uma flexibilização mais rápida dos juros.
Os pedidos semanais de auxílio desemprego nos Estados Unidos ficaram em 206 mil, indicando que o mercado de trabalho americano permanece relativamente resiliente. Esse quadro reduz a urgência para cortes de juros e mantém os investidores atentos às próximas leituras de inflação e atividade.
Empresas & Setores
Petrobras esteve entre os principais destaques positivos da B3, com valorização próxima de 2,8%, acompanhando a forte alta do petróleo. A companhia também anunciou acordos relacionados ao processamento de gás natural na Bahia.
Banco do Brasil anunciou aproximadamente R$ 197 milhões em juros sobre capital próprio, enquanto Santander Brasil comunicou captação de cerca de R$ 600 milhões por meio de letras financeiras com vencimento em dez anos.
No exterior, Walmart pressionou o setor de consumo americano após divulgar resultados que mostraram desaceleração nas vendas comparáveis. As ações da varejista sofreram forte queda, aumentando a cautela em relação à capacidade de consumo das famílias diante de energia e juros elevados.
Insights da nossa mesa
O pregão de hoje reforça que o mercado voltou a negociar uma combinação particularmente sensível para ativos de risco: petróleo elevado, juros longos pressionados e maior preocupação fiscal nos Estados Unidos.
Para o investidor brasileiro, o diferencial de juros ainda oferece suporte relevante para estratégias de renda fixa, mas a volatilidade externa exige atenção ao risco de duration e à exposição cambial. Na renda variável, empresas ligadas a commodities podem encontrar suporte enquanto os preços internacionais permanecerem elevados, enquanto setores mais dependentes de juros e consumo doméstico tendem a apresentar maior sensibilidade.
Mais do que buscar movimentos direcionais de curto prazo, o ambiente atual favorece diversificação, disciplina de alocação e acompanhamento próximo dos indicadores de inflação, atividade e política monetária.
“Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
Na Center Inc., transformamos informação em estratégia.”
Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research. Informações de fechamento também verificadas em coberturas de mercado do UOL, Folha de S.Paulo, AP e Cboe.

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