Center News | Night Call | Segunda feira, 24 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a segunda feira em alta pelo quarto pregão consecutivo, apoiado principalmente por Vale e pelo setor financeiro. No exterior, o ambiente permaneceu mais cauteloso, com pressão sobre ações de tecnologia, queda do petróleo e atenção às novas sanções dos Estados Unidos contra o Irã.
Brasil
O Ibovespa avançou 0,51%, aos 171.906,72 pontos. O movimento ganhou força ao longo da tarde após uma abertura negativa, com Vale e bancos compensando as perdas observadas nas ações da Petrobras e da Braskem.
O dólar à vista encerrou a R$ 5,1532, com valorização de 0,16%. O movimento acompanhou o fortalecimento da moeda americana no exterior e refletiu a cautela relacionada ao cenário geopolítico e doméstico.
Os juros futuros encerraram a sessão em leve alta, em um pregão influenciado pela leitura do cenário eleitoral brasileiro e pelas novas medidas econômicas dos Estados Unidos contra o Irã.
No cenário macroeconômico, o Relatório Focus manteve a projeção do IPCA de 2026 em 5,02% e a expectativa de Selic em 13,75% ao final do ano. Para agosto, as projeções seguem indicando possibilidade de deflação, em parte pelo efeito do bônus de Itaipu sobre as tarifas de energia.
Durante o Febraban Tech, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, chamou atenção para os riscos de aumento do endividamento das famílias diante da ampliação da oferta de crédito e dos estímulos ao consumo. A mensagem reforça a preocupação da autoridade monetária com fatores capazes de sustentar a demanda em níveis elevados.
Internacional
Wall Street terminou o dia sem direção única. O Dow Jones avançou 0,26%, aos 53.417 pontos. O S&P 500 recuou 0,28%, aos 7.653 pontos, enquanto o Nasdaq caiu 0,77%, aos 25.980 pontos. A pressão ficou concentrada principalmente no setor de tecnologia e semicondutores, antes da divulgação dos resultados da Nvidia.
O petróleo apresentou queda relevante. O Brent recuava aproximadamente 2,5% e operava próximo de US$ 92 por barril no encerramento da B3. A queda ocorreu mesmo após os Estados Unidos anunciarem novas sanções contra o Irã, com investidores avaliando os possíveis efeitos das medidas sobre a oferta global da commodity.
O cenário geopolítico continua sendo um dos principais fatores de risco para os mercados. O governo americano ampliou a pressão econômica sobre o Irã, enquanto investidores monitoram as consequências para petróleo, inflação global e política monetária.
A agenda internacional dos próximos dias inclui dados de inflação PCE e atividade econômica nos Estados Unidos, além das sinalizações do Federal Reserve durante os eventos de política monetária programados para a semana.
Empresas & Setores
A Yduqs foi o principal destaque positivo do Ibovespa, com alta de 12,83%, a R$ 8,88. A companhia confirmou negociações com a Afya para uma possível combinação de negócios. Segundo estimativas citadas pelo Itaú BBA, uma operação entre as empresas poderia criar uma das maiores plataformas de educação médica do país.
A Usiminas avançou 8,70%, a R$ 7,12, após notícias envolvendo uma possível intenção da Ternium de promover o fechamento de capital da siderúrgica.
A Vale avançou 2,80%, a R$ 77,13, e teve papel importante na sustentação do índice. O movimento acompanhou a valorização do minério de ferro na China. O setor financeiro também apresentou desempenho positivo, com o índice financeiro avançando 1,29%.
Na ponta negativa, Petrobras acompanhou a queda do petróleo. PETR3 recuou 2,50%, enquanto PETR4 caiu 2,32%.
O principal evento corporativo do dia foi a Braskem. As ações BRKM5 recuaram 6,51%, a R$ 4,74, após a companhia protocolar pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente US$ 10,9 bilhões em obrigações financeiras. A companhia obteve proteção judicial enquanto negocia com seus credores.
A B3 também informou que os papéis da Braskem serão retirados de diversos índices, incluindo o Ibovespa, após o encerramento do pregão de terça feira, 25 de agosto.
Insights da nossa mesa
O quarto pregão consecutivo de alta do Ibovespa mostra uma tentativa de recuperação dos ativos brasileiros após a forte correção observada no início de agosto. A composição do movimento também chama atenção, com Vale e bancos oferecendo sustentação mesmo diante de um exterior menos favorável.
Ainda assim, o ambiente exige seletividade. A inflação projetada continua acima do teto da meta, os juros domésticos permanecem elevados e o cenário eleitoral começa a influenciar com maior intensidade a precificação dos ativos brasileiros.
No exterior, a combinação entre tensão geopolítica, juros americanos elevados e maior volatilidade nas empresas ligadas à inteligência artificial tende a continuar produzindo oscilações relevantes.
Para o investidor brasileiro, o momento reforça a importância da diversificação. A renda fixa continua oferecendo taxas atrativas, enquanto a bolsa apresenta oportunidades mais específicas em empresas e setores capazes de entregar crescimento e geração de caixa mesmo em um ambiente de juros elevados.
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Fontes consultadas e confrontadas: Bloomberg Línea, InfoMoney, Banco Central, Money Times, Folha de S.Paulo e Exame.
