Night Call – 08/09/2026

Night Call – 08/09/2026

Center News Night Call | Terça feira, 8 de setembro de 2026

Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a sessão com forte desempenho, apoiado pela valorização das commodities, pela queda do dólar e dos juros futuros e, principalmente, pela evolução das expectativas em torno do cenário eleitoral. No exterior, o avanço do petróleo e as tensões no Oriente Médio mantiveram a cautela dos investidores e pressionaram as bolsas americanas.

Brasil

O Ibovespa encerrou o pregão em alta de 1,20%, aos 187.366,84 pontos, consolidando o movimento positivo observado nas últimas semanas. Durante a sessão, o índice chegou a superar os 188 mil pontos. O desempenho foi favorecido por ações ligadas a commodities, bancos e empresas mais sensíveis à dinâmica dos juros.

O dólar comercial caiu 0,74%, encerrando a R$ 5,08. A curva de juros futuros também apresentou queda ao longo dos diferentes vencimentos, refletindo uma combinação de melhora recente das expectativas de inflação, perspectiva de maior flexibilização monetária e redução do prêmio relacionado ao cenário eleitoral.

O componente político ganhou relevância na formação dos preços. Pesquisas eleitorais recentes indicaram uma disputa mais equilibrada em um eventual segundo turno presidencial, cenário interpretado pelo mercado como capaz de ampliar a discussão sobre política fiscal e trajetória das contas públicas nos próximos anos.

No campo macroeconômico, o Boletim Focus trouxe nova redução na projeção do IPCA de 2026, de 5,01% para 5,00%. A estimativa para o crescimento do PIB avançou de 1,92% para 1,93%, enquanto a projeção para a Selic permaneceu em 13,75% ao ano e a expectativa para o dólar continuou em R$ 5,20.

A percepção de espaço para juros menores também ganhou reforço internacional. O Bank of America elevou a recomendação para ações brasileiras e passou a projetar Selic de 11,25% ao fim de 2027, citando desaceleração da atividade e riscos inflacionários mais moderados.

Internacional

O cenário externo teve como principal vetor a forte valorização do petróleo. O Brent voltou a se aproximar de US$ 100 por barril após ataques contra instalações de energia na Arábia Saudita elevarem a preocupação com a oferta global. O movimento adiciona risco inflacionário ao cenário internacional e pode dificultar o processo de flexibilização monetária pelos principais bancos centrais.

As bolsas americanas encerraram a sessão em queda, pressionadas pela combinação entre petróleo mais caro, riscos geopolíticos e preocupação com a trajetória dos juros. O mercado também segue repercutindo o payroll de agosto, que mostrou criação de 162 mil vagas, bem acima das 56 mil esperadas, fortalecendo uma leitura mais cautelosa sobre os próximos passos do Federal Reserve.

Os Treasuries continuam refletindo esse cenário. O título americano de dois anos operou próximo de 4,36%, enquanto o rendimento de dez anos ficou ao redor de 4,78%. A próxima referência importante será a inflação ao consumidor dos Estados Unidos, que pode alterar novamente as expectativas para a decisão do Fed em 16 de setembro.

Empresas & Setores

Petrobras e Vale estiveram entre os principais vetores positivos da bolsa ao longo da sessão, beneficiadas respectivamente pela valorização do petróleo e do minério de ferro. O movimento das commodities ajudou a ampliar a alta do Ibovespa e reforçou o peso dos setores de energia e mineração no desempenho do índice.

No varejo, a XP destacou que temperaturas mais baixas neste início de setembro podem representar um fator positivo de curto prazo para empresas de vestuário após um segundo trimestre mais fraco. A análise também aponta potenciais impactos favoráveis para segmentos específicos do consumo dependendo da evolução climática nas próximas semanas.

No setor automotivo, dados da Anfavea mostraram queda de 24,2% nas exportações brasileiras de veículos entre janeiro e agosto, com perda de participação principalmente no mercado argentino diante da expansão das montadoras chinesas na região.

Insights da nossa mesa

O pregão desta terça feira reforça uma mudança relevante na composição dos fatores que vêm direcionando os ativos brasileiros. O mercado passou a combinar três forças importantes: expectativa de juros menores no médio prazo, valorização das commodities e aumento da sensibilidade aos desdobramentos eleitorais.

Esse ambiente tem favorecido ativos de risco e o real, mas também exige atenção. Parte relevante da valorização recente depende de expectativas, especialmente sobre política econômica e trajetória futura da Selic. Ao mesmo tempo, petróleo próximo de US$ 100 pode voltar a pressionar a inflação global e reduzir a liberdade dos bancos centrais para cortar juros.

Para o investidor brasileiro, o momento reforça a importância de diversificação. A renda fixa continua oferecendo taxas relevantes, enquanto a bolsa começa a incorporar perspectivas mais favoráveis para empresas sensíveis aos juros. Commodities seguem oferecendo proteção importante diante da escalada geopolítica.

Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.

Na Center Inc., transformamos informação em estratégia.

Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e XP Research.

Mais conteúdos

Canal Oficial da Center

Análises do cenário econômico, conteúdo educacional e leitura de mercado direto de quem acompanha o dia a dia dos investimentos.

Entrar no canal