Night Call – 14/08/2026

Night Call – 14/08/2026
Center News: Night Call | Sexta feira, 14 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a semana em clima de cautela, marcado pela continuidade da saída de capital estrangeiro, maior percepção de risco doméstico e atenção crescente ao cenário eleitoral e às relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. No exterior, dados mais fracos da economia americana dividiram espaço com novas tensões no Oriente Médio e alta do petróleo.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,10%, aos 166.934 pontos, registrando a nona sessão consecutiva de baixa. Na semana, o índice acumulou recuo de 3,23% e, em agosto, a perda chega a 6,22%. A sessão teve forte volatilidade, com o índice chegando a operar próximo dos 165 mil pontos antes de recuperar parte das perdas no período da tarde.
O dólar à vista avançou 0,52%, encerrando a R$ 5,21, após atingir R$ 5,2490 na máxima do dia. Foi a quinta sessão seguida de valorização da moeda americana, que acumulou alta de 2,67% na semana. O movimento ocorreu mesmo com enfraquecimento do dólar no exterior, reforçando a influência dos fatores domésticos sobre o câmbio.
O fluxo estrangeiro continuou sendo um dos principais vetores de pressão. Até quarta feira, dia 12, as retiradas líquidas de investidores estrangeiros da Bolsa somavam aproximadamente R$ 13,5 bilhões em agosto. O movimento ganhou intensidade com a elevação da percepção de risco fiscal e eleitoral e com a redução recente da exposição de investidores internacionais ao mercado brasileiro.
Na renda fixa, a curva de juros permaneceu pressionada ao longo da semana. A XP destacou deslocamento para cima de aproximadamente 0,30 a 0,40 ponto percentual nos diferentes vencimentos, refletindo aumento do prêmio de risco. A casa mantém projeção de Selic em 14,00% ao final de 2026, condicionada à evolução da atividade e da inflação.
Outro ponto de atenção foi a abertura, pelo governo brasileiro, do processo previsto na Lei da Reciprocidade em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos. O mercado monitora principalmente o risco de eventual escalada comercial e seus possíveis efeitos sobre câmbio, inflação, empresas exportadoras e percepção de risco do país.
Internacional
Nos Estados Unidos, as vendas no varejo recuaram 0,6% em julho, resultado inferior à expectativa de alta de 0,1%. O índice preliminar de confiança do consumidor da Universidade de Michigan também caiu para 51 pontos em agosto, abaixo dos 54,5 pontos esperados. Os números adicionaram sinais de moderação da economia americana e seguem relevantes para as próximas decisões do Federal Reserve.
As bolsas de Nova York encerraram o dia em baixa. O Dow Jones recuou 0,20%, o S&P 500 caiu 0,17% e o Nasdaq perdeu 0,28%. Apesar do desempenho negativo desta sexta feira, S&P 500 e Nasdaq ainda registraram ganhos na semana.
No campo geopolítico, as tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram a elevar o prêmio de risco sobre o petróleo. O Brent para outubro avançou 1,67%, para US$ 88,52 por barril, enquanto o WTI subiu 1,42%, para US$ 82,40. Na semana, os contratos acumularam altas próximas de 6% e 5,4%, respectivamente.
Empresas & Setores
Entre os papéis de maior peso no Ibovespa, Petrobras acompanhou a valorização do petróleo. PETR4 subiu 0,45% e PETR3 avançou 0,21%. A Vale recuou 0,83%, apesar da valorização do minério de ferro.
Os bancos contribuíram para a recuperação parcial do índice durante a tarde. Itaú avançou 1,80%, BTG Pactual ganhou 1,51%, Banco do Brasil subiu 0,93% e Santander teve alta de 0,34%. Bradesco destoou, com recuo de 0,72%.
Entre as maiores altas da sessão, Minerva avançou 5,26%, Hapvida ganhou 4,99% e Embraer subiu 2,43%. Na ponta negativa, Braskem caiu 7,68% após a divulgação de resultados e em meio às negociações com credores. Yduqs recuou 5,18% e CPFL Energia perdeu 4,49%.
A temporada de resultados também contribuiu para maior dispersão entre ações e setores. Gestores têm apontado postura mais defensiva diante da combinação de desaceleração econômica, incerteza eleitoral e retirada recente de recursos estrangeiros da Bolsa.
Insights da nossa mesa
A semana termina com uma mensagem importante para o investidor brasileiro: a volatilidade atual está sendo determinada menos pelo desempenho pontual das empresas e mais pelo aumento do prêmio de risco exigido para ativos domésticos.
A sequência de nove quedas do Ibovespa, combinada com valorização do dólar e abertura da curva de juros, mostra um processo de redução de exposição ao risco Brasil. Neste ambiente, disciplina na alocação e diversificação ganham importância.
Ao mesmo tempo, movimentos de correção mais intensos podem criar oportunidades para investidores com horizonte de longo prazo, especialmente em empresas de qualidade e ativos que passam a negociar com maior margem de segurança. Na renda fixa, juros ainda elevados continuam oferecendo remuneração relevante, enquanto a renda variável exige maior seletividade e atenção ao cenário fiscal, eleitoral e internacional.
O foco das próximas semanas permanece na evolução do fluxo estrangeiro, nos sinais do Copom, na trajetória da economia americana e na capacidade de reduzir as incertezas fiscais e comerciais no Brasil.
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Fontes utilizadas nesta edição: InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research e Exame.

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