Center News | Night Call | Terça feira, 18 de Agosto de 2026
🌙 Boa noite! O mercado encerrou esta terça feira com maior aversão ao risco no exterior, pressionado pela alta dos juros globais e pela retomada das tensões no Oriente Médio. No Brasil, o Ibovespa chegou ao 11º pregão consecutivo de queda, enquanto o dólar voltou a avançar e o petróleo permaneceu acima de US$ 90.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, ampliando para 11 sessões consecutivas sua sequência negativa. O índice chegou a avançar durante a manhã, mas perdeu força ao longo da tarde diante da piora do ambiente internacional e da cautela com o cenário fiscal doméstico.
O dólar à vista fechou a R$ 5,2216, com valorização próxima de 0,40%. O movimento acompanhou o fortalecimento global da moeda americana e a menor disposição dos investidores por ativos de países emergentes.
A curva de juros apresentou pressão principalmente nos vencimentos mais longos, refletindo a combinação de alta dos Treasuries, petróleo elevado e preocupações fiscais. Pela manhã, os contratos intermediários chegaram a operar com leve fechamento, apoiados pela desaceleração recente da atividade brasileira, mas o ambiente externo ganhou maior peso ao longo da sessão.
O fluxo estrangeiro segue como ponto de atenção. Até os dados mais recentes disponíveis, agosto acumulava retirada superior a R$ 15 bilhões da bolsa brasileira, fator que ajuda a explicar a dificuldade de recuperação do índice mesmo após a forte correção das últimas sessões.
Internacional
Wall Street encerrou o dia no campo negativo. O Dow Jones recuou 0,22%, para 53.343 pontos, o S&P 500 caiu 0,69%, para 7.691 pontos, e o Nasdaq perdeu 1,33%, aos 26.289 pontos. As ações de tecnologia, especialmente fabricantes de semicondutores, estiveram entre as maiores pressões sobre os índices.
Os juros dos títulos americanos voltaram ao centro das atenções. A taxa do Treasury de 30 anos chegou a 5,337% durante o pregão, em patamar historicamente elevado, enquanto investidores avaliaram riscos relacionados à inflação, aos déficits públicos e ao aumento da oferta de dívida.
No Oriente Médio, o encerramento do período temporário de trégua entre Estados Unidos e Irã aumentou novamente a percepção de risco. O petróleo Brent terminou próximo de US$ 91 por barril, mantendo no radar o potencial impacto sobre inflação, juros e atividade global.
Os investidores também aguardam a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve nesta quarta feira, documento que pode trazer novas pistas sobre a avaliação do banco central americano em relação à inflação e aos próximos movimentos da política monetária.
Empresas & Setores
Petrobras encontrou suporte na valorização do petróleo e ajudou a limitar uma queda mais intensa do Ibovespa. O ambiente para empresas ligadas ao setor de energia permanece diretamente condicionado aos desdobramentos no Estreito de Ormuz e às negociações envolvendo Estados Unidos e Irã.
O varejo continuou no radar após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia. A companhia declarou dívida de aproximadamente R$ 17,3 bilhões, e o episódio segue elevando a percepção de risco sobre empresas mais dependentes de crédito e sobre instituições financeiras com exposição ao segmento.
A XP Inc divulgou lucro ajustado de R$ 1,384 bilhão no segundo trimestre. A companhia também apresentou continuidade do crescimento dos ativos sob custódia e captação líquida relevante no varejo.
Na área de tecnologia, análise publicada pela XP destacou desempenho sólido no segundo trimestre para empresas como TOTVS, Bemobi, LWSA e Intelbras, enquanto Vivo e TIM enfrentaram uma deterioração mais significativa de percepção do mercado após seus resultados.
Insights da nossa mesa
A sequência de 11 quedas do Ibovespa mostra que o mercado brasileiro permanece sensível à combinação de saída de capital estrangeiro, incerteza fiscal e aumento dos juros globais.
Mesmo com preços mais atrativos após a correção recente, o ambiente ainda exige seletividade. A alta do petróleo favorece empresas ligadas ao setor de energia, mas também adiciona pressão inflacionária global, o que pode prolongar juros elevados e limitar a recuperação de ativos mais sensíveis ao custo de capital.
Para o investidor brasileiro, a leitura continua sendo de equilíbrio entre proteção e oportunidade. Renda fixa segue oferecendo taxas relevantes, enquanto posições em renda variável devem privilegiar empresas com geração consistente de caixa, balanços sólidos e menor dependência de financiamento.
A ata do Fed nesta quarta feira e os próximos desdobramentos no Oriente Médio serão importantes para definir se o aumento da aversão ao risco representa apenas uma correção temporária ou o início de uma fase mais prolongada de volatilidade.
“Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research
