Center News | Terça feira, 8 de setembro de 2026
Bom dia! Os mercados iniciam esta terça feira com maior aversão ao risco no exterior. A forte valorização do petróleo, que se aproxima de US$ 100 por barril, reacende preocupações com inflação e juros globais. No Brasil, investidores retornam do feriado acompanhando o Boletim Focus, novos dados de inflação e o cenário eleitoral.
Brasil
O Ibovespa encerrou a última sessão praticamente estável, com queda de 0,02%, aos 185.147 pontos. Apesar da acomodação na sexta feira, o índice acumulou avanço de 5,40% na semana, sustentado pela entrada de capital estrangeiro, queda dos juros futuros e melhora recente dos ativos domésticos.
O dólar comercial fechou a sexta feira em R$ 5,12, com alta de 0,34% na sessão, mas acumulou queda de 1,28% na semana. Na curva de juros, os contratos futuros encerraram o último pregão predominantemente em baixa, com o DI para janeiro de 2029 em 13,84% e o DI para janeiro de 2031 em 14,08%.
Na agenda desta manhã, o Boletim Focus mostrou nova redução da expectativa para o IPCA de 2026, de 5,01% para 5,00%. A projeção para a Selic permaneceu em 13,75% ao final deste ano. Para o PIB, a estimativa avançou marginalmente de 1,92% para 1,93%, enquanto a expectativa para o dólar permaneceu em R$ 5,20.
Também divulgado às 8 horas, o IGP DI avançou 0,06% em agosto, depois de recuar 0,86% em julho. O indicador acumula alta de 2,19% em 2026 e de 2,63% em doze meses. A composição mostrou recuperação dos preços agropecuários, parcialmente compensada pela continuidade da queda dos preços industriais.
O ambiente político também permanece no radar. Pesquisas eleitorais recentes aumentaram a percepção de uma disputa presidencial mais equilibrada, variável que tem influenciado prêmio de risco, câmbio, juros e empresas mais sensíveis à economia doméstica.
Internacional
O principal vetor externo nesta manhã é o petróleo. O Brent superou US$ 99 por barril após novos ataques contra instalações energéticas na Arábia Saudita, aumentando os riscos para a oferta global. A valorização da commodity reforça a preocupação com uma nova pressão inflacionária e com a necessidade de juros elevados por mais tempo.
Os futuros dos índices americanos operavam sob pressão pela manhã. O mercado ainda repercute o payroll de agosto, que mostrou criação de 162 mil vagas nos Estados Unidos, bem acima da expectativa de 56 mil. O resultado fortaleceu a discussão sobre uma postura mais restritiva do Federal Reserve.
Na Europa, investidores também elevam a atenção para política monetária, com expectativa de aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Banco Central Europeu nesta semana. No Japão, o PIB do segundo trimestre cresceu 0,4% ante o trimestre anterior, enquanto aumentam as expectativas em torno dos próximos passos do Banco do Japão.
Na China, as exportações cresceram 25% em agosto na comparação anual em dólares, apoiadas principalmente pela demanda internacional por produtos de alta tecnologia e inteligência artificial. O desempenho externo segue funcionando como suporte para uma economia ainda marcada por demanda doméstica mais fraca.
Commodities
Além do petróleo próximo de US$ 100, o cobre permanece em destaque após atingir máxima histórica na Bolsa de Metais de Londres. O movimento reflete preocupações com oferta e expectativas de novas tarifas americanas sobre importações do metal. Para a Bolsa brasileira, o cenário mantém elevada a importância das empresas ligadas a petróleo, mineração e materiais básicos.
Empresas & Setores
O setor de petróleo tende a permanecer entre os principais focos do pregão diante da forte valorização internacional da commodity.
No noticiário corporativo, a Vibra aprovou uma emissão de R$ 1,4 bilhão em debêntures. A CVC renegociou sua dívida e alongou vencimentos até 2029. A CPFL definiu o pagamento de aproximadamente R$ 700 milhões em dividendos. No IRB, houve mudança na composição do Conselho de Administração.
No segmento de mineração estratégica, a Viridis obteve R$ 77,5 milhões em financiamento do BNDES para seu projeto de terras raras em Minas Gerais, reforçando o interesse crescente por minerais críticos no Brasil.
Dados da XP também mostram que bancos e ações domésticas estiveram entre os destaques recentes do mercado brasileiro, movimento consistente com a recuperação do Ibovespa observada nas últimas sessões.
Insights da nossa mesa
A abertura combina duas forças importantes para o investidor brasileiro. Internamente, a melhora recente dos ativos locais, a redução marginal das expectativas de inflação e a perspectiva de continuidade do ciclo de queda da Selic ajudam a sustentar ativos domésticos. Externamente, porém, petróleo próximo de US$ 100 e mercado de trabalho americano forte elevam o risco de juros globais permanecerem restritivos.
Depois de uma valorização de 5,40% do Ibovespa na última semana, o mercado entra em uma região em que seletividade ganha importância. Empresas domésticas podem continuar se beneficiando de uma percepção mais favorável para juros, enquanto petróleo e mineração oferecem exposição ao movimento das commodities. Ao mesmo tempo, volatilidade eleitoral, geopolítica e inflação internacional seguem como fatores relevantes para proteção e diversificação das carteiras.
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Fontes: InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, FGV IBRE e Boletim Focus.