CENTER NEWS | NIGHT CALL
Terça feira, 1º de setembro de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro abriu setembro em forte alta e destoou do ambiente mais defensivo no exterior. A desaceleração da atividade doméstica reforçou expectativas de novos cortes da Selic, enquanto a disparada do petróleo impulsionou Petrobras e ajudou o Ibovespa a completar a décima sessão consecutiva de valorização.
BRASIL
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 1,30%, aos 179.722 pontos, acumulando avanço de 11,54% em 2026. Durante a sessão, o índice chegou aos 181.060 pontos, maior nível intradiário em quase quatro meses. O volume financeiro ficou próximo de R$ 30,9 bilhões.
O dólar comercial recuou 0,52%, para R$ 5,15, com mínima de R$ 5,138 durante o dia. O movimento ocorreu mesmo com fortalecimento da moeda americana frente a divisas desenvolvidas, mostrando desempenho relativamente favorável do real na sessão. Os juros futuros terminaram em queda ao longo da curva, refletindo principalmente a leitura dos dados de atividade econômica.
O principal indicador doméstico foi o PIB do segundo trimestre. A economia brasileira cresceu 0,5% frente aos três primeiros meses do ano, após expansão de 1,1% no primeiro trimestre. O resultado ficou acima da expectativa de aproximadamente 0,4%, mas a composição mostrou perda de força da demanda. A agropecuária avançou 2,8%, enquanto serviços cresceram apenas 0,2% e indústria, 0,1%. O consumo das famílias recuou 0,4%.
Para o mercado, a combinação de crescimento ainda positivo com enfraquecimento dos componentes mais sensíveis ao crédito reforçou a percepção de que a política monetária restritiva está produzindo efeitos sobre a economia, mantendo vivas as expectativas de continuidade do ciclo de cortes da Selic.
INTERNACIONAL
Wall Street encerrou o dia em queda diante da forte valorização do petróleo, da alta dos rendimentos dos Treasuries e da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã. O Dow Jones recuou 0,79%, o S&P 500 caiu 0,71% e o Nasdaq perdeu 1,03%. O rendimento do Treasury de dez anos avançou para aproximadamente 4,79%, aumentando a pressão sobre ativos de risco.
O petróleo voltou ao centro das atenções após novos episódios de tensão no Oriente Médio. O Brent para novembro avançou 4,6%, para US$ 94,65 por barril, movimento que elevou as preocupações com inflação global e com a trajetória dos juros americanos.
O cenário mantém o mercado dividido entre sinais de desaceleração econômica e o risco de uma nova pressão inflacionária provocada pela energia. Essa combinação tende a aumentar a sensibilidade dos ativos aos próximos indicadores do mercado de trabalho americano e às sinalizações do Federal Reserve.
EMPRESAS & SETORES
Petrobras foi um dos principais destaques positivos do Ibovespa. PETR4 avançou 4,11% e PETR3 ganhou 4,14%, acompanhando a forte valorização internacional do petróleo. A companhia também foi favorecida pela notícia de novo recorde de produção brasileira de petróleo em julho, quando o país alcançou aproximadamente 4,5 milhões de barris por dia.
Vale avançou 0,58%, mesmo com comportamento mais moderado do minério de ferro. Entre os bancos, Banco do Brasil ganhou 2,27%, Bradesco PN avançou 1,22% e Itaú subiu 0,95%. Santander ficou na direção contrária, com queda de 0,74%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, CSN avançou 7,89%, C&A ganhou 5,41% e Brava Energia subiu 5,08%. Na ponta negativa, Magazine Luiza recuou 3,95%, Fleury caiu 2,39% e Embraer perdeu 1,40%.
A XP também divulgou ajustes em suas carteiras para setembro. Na carteira Top Ações, Cury e Axia foram incluídas e houve aumento da exposição a Rede D’Or, enquanto Lojas Renner e Orizon deixaram a seleção. Na carteira de dividendos, a exposição a Petrobras e Allos foi ampliada.
INSIGHTS DA NOSSA MESA
A sessão mostrou uma dinâmica especialmente relevante para o investidor brasileiro. O mercado local conseguiu avançar mesmo diante de uma forte aversão ao risco no exterior, apoiado pela perspectiva de queda dos juros domésticos, valorização das commodities e desempenho das principais empresas do índice.
O PIB reforça a percepção de desaceleração gradual da economia brasileira, fator que pode favorecer ativos sensíveis aos juros caso inflação e expectativas continuem cedendo. Ao mesmo tempo, a alta expressiva do petróleo exige cautela, pois um choque prolongado de energia pode pressionar novamente a inflação global e dificultar o processo de flexibilização monetária no exterior.
Nesse ambiente, diversificação continua sendo essencial. A possibilidade de redução da Selic pode beneficiar setores domésticos e ativos de maior duração, enquanto empresas ligadas a commodities oferecem exposição a um cenário internacional ainda marcado por riscos geopolíticos.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.