Center News | Terça feira, 1º de setembro de 2026
Bom dia! Os mercados iniciam setembro em ambiente de maior aversão ao risco, com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã elevando o petróleo e os juros globais. No Brasil, o PIB do segundo trimestre e o cenário fiscal concentram as atenções dos investidores.
Brasil
O Ibovespa encerrou a segunda feira com alta de 1,00%, aos 177.418 pontos, completando nove pregões consecutivos de valorização. A força do petróleo favoreceu Petrobras, enquanto ações domésticas também apresentaram desempenho positivo. MRV avançou 6,17%, Cyrela ganhou 5,52% e Petrobras PN subiu 3,38%. Entre as quedas, Embraer recuou 1,82%, Suzano perdeu 1,50% e Vale caiu 0,93%.
O dólar encerrou ontem próximo de R$ 5,18, em queda frente ao real. Nesta manhã, porém, o ambiente externo mais defensivo trouxe pressão para o câmbio. Por volta das 9h15, a moeda americana avançava 0,36%, para aproximadamente R$ 5,20.
Na curva de juros, os contratos futuros terminaram a sessão anterior praticamente estáveis. O DI para janeiro de 2027 fechou em 13,62%, janeiro de 2029 em 14,18% e janeiro de 2031 em 14,48%. A pressão dos juros internacionais e as preocupações fiscais seguem como pontos relevantes para os ativos brasileiros.
O principal indicador doméstico desta manhã foi o PIB do segundo trimestre. O resultado mostrou crescimento de 0,5% frente ao trimestre anterior, acima da expectativa de aproximadamente 0,4% observada antes da divulgação. O dado confirma desaceleração em relação ao avanço de 1,1% do primeiro trimestre, mas demonstra atividade econômica ainda resiliente.
No cenário fiscal, o governo apresentou o Projeto de Lei Orçamentária Anual de 2027 com previsão de superávit primário de R$ 18,6 bilhões. A XP considera as premissas de receita otimistas e projeta déficit de R$ 47,8 bilhões, equivalente a aproximadamente 0,3% do PIB. A dívida bruta atingiu 82,5% do PIB em julho, mantendo a trajetória fiscal como fator relevante para a precificação dos juros de longo prazo.
O Focus divulgado nesta semana mostrou nova redução da expectativa para o crescimento econômico de 2026, de 1,95% para 1,92%. A projeção para o IPCA de 2026 passou de 5,02% para 5,01%, enquanto a estimativa para 2027 aumentou para 4,28%. A mediana para a Selic permanece em 13,75% ao final deste ano.
Internacional
O ambiente externo começou a terça feira com maior cautela. Os futuros do S&P 500 recuavam aproximadamente 0,5% a 0,6%, enquanto o Nasdaq 100 registrava queda próxima de 0,9% a 1,0%. Na Europa, o Stoxx 600 também operava no campo negativo.
O principal vetor de risco é a nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã. A preocupação com uma eventual interrupção do fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz levou o Brent para a região de US$ 92 por barril nesta manhã. A valorização da commodity aumenta as preocupações com inflação e vem pressionando os rendimentos dos títulos públicos globais.
Nos Estados Unidos, a Treasury de dez anos chegou à região de 4,79%. A leitura mais restritiva das recentes sinalizações do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, também levou o mercado a ampliar as apostas em juros mais elevados. Segundo a XP, o mercado atribuía aproximadamente dois terços de probabilidade a uma elevação na reunião de setembro.
A agenda americana traz hoje o ISM industrial de agosto e o relatório JOLTS de vagas de emprego. Durante a semana, as atenções avançam para o ISM de serviços e, principalmente, para o payroll de agosto, na sexta feira. Esses indicadores serão determinantes para as expectativas sobre a próxima decisão do Fed.
Na Europa, a inflação ao consumidor acelerou de 2,9% para 3,3% em agosto, enquanto o núcleo desacelerou de 2,5% para 2,4%. Na China, o PMI industrial avançou de 50,9 para 51,5, indicando melhora da atividade manufatureira. O PMI industrial da zona do euro também surpreendeu positivamente, atingindo 52,7, maior nível em mais de quatro anos.
Empresas & Setores
O setor de petróleo permanece no centro das atenções com o Brent acima de US$ 90. Petrobras foi um dos principais suportes do Ibovespa na sessão anterior, enquanto PRIO e Brava Energia entram no radar diante da proximidade da divulgação dos dados de produção de agosto.
Em papel e celulose, a Suzano anunciou aumento de US$ 20 por tonelada no preço da celulose de fibra curta para pedidos de setembro na China e em outros mercados asiáticos. O movimento ocorre em um contexto de melhora nos pedidos e redução dos estoques, trazendo uma sinalização mais construtiva para os preços da commodity.
No setor de consumo, a Natura anunciou mudança em sua liderança. Alessandro Carlucci retorna ao comando da companhia após a saída de João Paulo Ferreira.
No varejo digital, o Mercado Livre iniciou uma nova iniciativa de comércio por transmissões ao vivo no Brasil, ampliando a competição com plataformas como Shopee e TikTok Shop.
Insights da nossa mesa
A abertura de setembro combina dois vetores importantes para a formação de preços. De um lado, a atividade econômica brasileira segue demonstrando resiliência, com o PIB do segundo trimestre acima das expectativas. De outro, a elevação do petróleo, dos juros internacionais e das incertezas fiscais limita o espaço para uma melhora mais consistente dos ativos de risco.
Para o investidor brasileiro, o cenário continua favorecendo uma abordagem equilibrada. A renda fixa permanece competitiva diante do nível elevado das taxas domésticas, enquanto a Bolsa apresenta oportunidades seletivas, principalmente em empresas de qualidade, setores beneficiados pelo ciclo de commodities e negócios com menor sensibilidade ao custo de capital.
Depois de nove sessões consecutivas de valorização do Ibovespa, a combinação entre cenário geopolítico, petróleo e juros globais recomenda atenção à volatilidade de curto prazo, sem perder de vista que preços atrativos podem continuar abrindo oportunidades para posições com horizonte mais longo.
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Fontes consultadas: XP Research, InfoMoney e Bloomberg Línea.
