Center News — Segunda feira, 31 de Agosto de 2026
Bom dia! Os mercados começam a semana com maior cautela. A retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã impulsiona o petróleo e aumenta a preocupação com inflação global, enquanto, no Brasil, o mercado acompanha o Boletim Focus e os dados fiscais.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta feira em alta de 0,30%, aos 175.664 pontos, completando oito pregões consecutivos de valorização. Na semana, o índice acumulou ganho superior a 3%, sustentado principalmente pelo desempenho de grandes empresas e pelo fluxo comprador recente.
O dólar comercial avançou na última sessão e terminou próximo de R$ 5,19, refletindo o fortalecimento global da moeda americana após o discurso mais rígido de Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve. Os juros futuros brasileiros também encerraram a sexta feira em alta ao longo da curva.
Nesta manhã, a atenção doméstica está concentrada no Boletim Focus, previsto para 8h25, e no resultado primário do governo referente a julho, às 8h30. As informações serão importantes para calibrar as expectativas sobre inflação, Selic, atividade econômica e trajetória fiscal.
A agenda ganha ainda mais relevância nesta semana com a divulgação do PIB brasileiro do segundo trimestre, prevista para terça feira. A expectativa levantada pelo Bradesco é de expansão de 0,4% na comparação trimestral, após crescimento de 1,1% nos primeiros três meses do ano.
Internacional
O ambiente externo inicia a sessão com maior aversão ao risco após uma nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã. Segundo informações divulgadas nesta manhã, forças americanas atacaram alvos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz e Teerã respondeu com ataques contra posições ligadas aos Estados Unidos na região.
O movimento levou o petróleo a registrar alta superior a 2% nas primeiras horas do dia, reforçando preocupações sobre inflação e sobre eventuais interrupções no transporte de energia pelo Estreito de Ormuz. Para o investidor brasileiro, petróleo mais valorizado tende a beneficiar empresas ligadas ao setor de energia, mas também pode elevar a percepção de risco inflacionário.
Nos Estados Unidos, os futuros de Wall Street operam com cautela após o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole na sexta feira. O presidente do Fed reforçou que a inflação ainda exige atenção, levando o mercado a elevar as apostas em um novo aumento de juros. Na sexta feira, Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq encerraram o pregão em queda.
Na China, o PMI industrial oficial avançou de 49,3 em julho para 49,8 em agosto, acima da expectativa de 49,6. Apesar da melhora, o indicador permanece abaixo de 50 pontos, sinalizando que a atividade industrial chinesa ainda se encontra em terreno de contração.
Empresas & Setores
Petrobras segue entre os principais ativos para acompanhar na abertura. A companhia foi um dos suportes do Ibovespa na última semana e pode voltar a receber influência positiva da forte valorização do petróleo nesta manhã.
Empresas ligadas a óleo, gás e commodities energéticas podem apresentar maior volatilidade diante da escalada no Oriente Médio. Já setores mais sensíveis a juros, como varejo, construção e tecnologia, tendem a acompanhar de perto a reação da curva de juros brasileira aos dados fiscais e às novas projeções do Focus.
Na última sessão, o mercado também acompanhou números mais fracos do mercado de trabalho brasileiro. O Caged registrou criação de 58.568 vagas em julho, resultado abaixo da expectativa de 115 mil postos, adicionando um sinal de desaceleração da atividade doméstica.
Insights da nossa mesa
A abertura desta semana reúne três vetores importantes para a formação de preços: risco geopolítico, política monetária internacional e cenário fiscal brasileiro.
A sequência de oito altas consecutivas do Ibovespa mostra melhora relevante no fluxo para ativos brasileiros, mas o avanço acumulado também aumenta a possibilidade de realização de lucros caso o ambiente internacional se deteriore.
Ao mesmo tempo, petróleo mais caro pode favorecer empresas exportadoras e do setor energético, enquanto adiciona pressão às expectativas de inflação global e pode dificultar a flexibilização monetária nos Estados Unidos.
No Brasil, o comportamento das expectativas para inflação e Selic no Focus e a leitura das contas públicas serão importantes para definir a direção dos juros futuros. Para o investidor, o cenário continua reforçando a importância de diversificação entre renda fixa, Bolsa e ativos expostos ao cenário internacional.
Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.
