Morning Call – 27/08/2026

Morning Call – 27/08/2026

Center News: Quinta feira, 27 de agosto de 2026

Bom dia! Os mercados começam a quinta feira com viés misto no exterior. O forte resultado da Nvidia sustenta o apetite por tecnologia, enquanto inflação americana ainda elevada, mercado de trabalho brasileiro aquecido e tensões no Oriente Médio mantêm os juros e as commodities no centro das atenções.

Brasil

O Ibovespa encerrou ontem praticamente estável, com avanço de 0,00%, aos 174.586 pontos, registrando a sexta sessão consecutiva de alta. Desde 18 de agosto, o índice acumula valorização próxima de 5%, apoiado pela redução da aversão ao risco e por melhora recente do fluxo. O dólar comercial fechou em R$ 5,151, com alta de 0,22%, enquanto os juros futuros terminaram predominantemente em alta após oscilarem ao longo da sessão.

Nesta manhã, o dólar iniciou os negócios próximo de R$ 5,14, em leve queda. O principal dado doméstico veio do mercado de trabalho. A taxa de desemprego recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, menor nível para o período desde o início da série histórica da Pnad Contínua. A população ocupada atingiu 103,3 milhões de pessoas.

O dado reforça a percepção de atividade doméstica ainda resiliente. Para a curva de juros, o mercado deve equilibrar essa força do emprego com a surpresa baixista do IPCA 15 divulgada ontem. A prévia da inflação de agosto registrou queda de 0,40%, levando a taxa acumulada em doze meses para 4,24% e fortalecendo a discussão sobre a continuidade do ciclo de cortes da Selic.

A agenda doméstica ainda inclui dados do setor externo, divulgados pelo Banco Central, e as contas do Governo Central referentes a julho. Esses números podem ganhar relevância especialmente para a percepção sobre o cenário fiscal e cambial.

Internacional

Nos Estados Unidos, os futuros das bolsas avançavam pela manhã, com destaque para o Nasdaq, após a Nvidia apresentar resultados e projeções acima das expectativas. Os futuros do S&P 500 avançavam cerca de 0,5% e os do Nasdaq 100 aproximadamente 1,2% nas primeiras horas do dia.

A inflação americana continua sendo um contraponto importante ao otimismo com tecnologia. O PCE de julho avançou 3,7% em doze meses e 0,2% no mês, mantendo a inflação significativamente acima da meta de 2% do Federal Reserve. O PIB americano do segundo trimestre mostrou crescimento anualizado de 1,5%. Esse conjunto reduz o espaço para uma flexibilização monetária mais agressiva e mantém os Treasuries sensíveis aos próximos indicadores.

O mercado acompanha também o início das discussões relacionadas ao simpósio de Jackson Hole. As sinalizações de autoridades monetárias podem alterar as expectativas para a trajetória dos juros americanos, especialmente em um ambiente no qual a inflação permanece resistente.

Na Ásia, o desempenho foi misto, mas empresas ligadas a semicondutores tiveram forte valorização após os números da Nvidia. Na Europa, os principais índices operavam sob maior pressão, com fraqueza em setores industriais compensando parcialmente o desempenho positivo das empresas de tecnologia.

O petróleo voltou a registrar leve valorização, ainda influenciado pelas negociações envolvendo o Estreito de Hormuz e pelas tensões no Oriente Médio. O Brent permanecia abaixo de US$ 90 por barril nesta manhã.

Empresas & Setores

Nvidia concentra as atenções globais. A companhia apresentou lucro de US$ 59,69 bilhões no trimestre e receita de US$ 96,2 bilhões. Além dos números fortes, a projeção de crescimento para os próximos períodos reforçou a percepção de continuidade dos investimentos globais em infraestrutura de inteligência artificial. As ações avançavam mais de 6% antes da abertura de Nova York.

No Brasil, Vale permanece no radar após informações de que a companhia estuda alternativas para processamento de rejeitos com foco na extração de terras raras. O papel também pode responder ao comportamento do minério de ferro e da atividade chinesa.

Oncoclínicas segue entre os destaques após a forte valorização registrada ontem, quando o mercado repercutiu decisão da CVM relacionada à necessidade de oferta aos acionistas minoritários. Braskem, por outro lado, permanece pressionada pela situação financeira e pelos efeitos de sua recuperação extrajudicial.

Petrobras tende a acompanhar principalmente a dinâmica do petróleo e o noticiário geopolítico, deixando o setor de óleo e gás novamente entre os segmentos que merecem atenção nesta sessão.

Insights da nossa mesa

A abertura combina dois vetores importantes para os ativos brasileiros. De um lado, inflação doméstica mais comportada sustenta expectativas de continuidade do ciclo de redução da Selic. Do outro, um mercado de trabalho ainda muito forte recomenda cautela com apostas excessivamente agressivas em queda dos juros.

No exterior, o resultado da Nvidia melhora o sentimento para ativos de risco e reforça a força estrutural do investimento em inteligência artificial. Entretanto, a inflação americana ainda acima da meta mantém elevada a sensibilidade do mercado aos próximos dados e às sinalizações do Federal Reserve.

Para o investidor brasileiro, o cenário continua favorecendo uma estratégia equilibrada. A renda fixa permanece relevante pela combinação de juros ainda elevados e perspectiva de flexibilização monetária, enquanto a bolsa encontra suporte em setores sensíveis à queda dos juros, bancos, commodities e empresas de qualidade com capacidade consistente de geração de caixa.

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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e XP Research.

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