Center News | Night Call | Quarta feira, 19 de Agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a quarta feira em recuperação, favorecido principalmente pelo alívio nos juros de longo prazo dos Estados Unidos. O movimento trouxe fluxo para ativos de risco, fortaleceu o real e permitiu ao Ibovespa interromper uma sequência de 11 pregões consecutivos de queda. No exterior, porém, a ata do Federal Reserve reforçou que a inflação ainda exige cautela.
Brasil
O Ibovespa avançou 0,90%, aos 167.830 pontos, encerrando a maior sequência recente de perdas e recuperando parte da queda acumulada em agosto. Durante o pregão, o índice chegou a superar os 170 mil pontos, com participação relevante das grandes empresas ligadas a commodities.
O dólar comercial caiu 0,79%, para R$ 5,17, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana e a melhora do apetite por ativos de países emergentes. Os contratos de juros futuros também recuaram ao longo da curva, refletindo principalmente a queda dos rendimentos dos títulos americanos.
Petrobras e Vale estiveram entre os principais suportes do índice. A Petrobras foi beneficiada pelo ambiente de preços elevados do petróleo e pelo noticiário envolvendo a exploração na Margem Equatorial, enquanto a Vale acompanhou a valorização do minério de ferro.
No cenário doméstico, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os juros de longo prazo pagos pelo Tesouro brasileiro permanecem elevados e reforçou a importância do compromisso fiscal para permitir uma redução estrutural das taxas.
Internacional
O grande catalisador do dia veio do Tesouro dos Estados Unidos, que anunciou a ampliação das operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. O volume mínimo por operação passará de US$ 2 bilhões para US$ 4 bilhões, buscando melhorar a liquidez após a forte elevação recente dos rendimentos dos Treasuries. A notícia provocou queda nos juros globais e ajudou as bolsas americanas a encerrarem a sessão com leves ganhos.
A ata da última reunião do Federal Reserve mostrou, entretanto, um comitê ainda preocupado com a persistência inflacionária. A taxa americana foi mantida na faixa entre 3,50% e 3,75%, mas três integrantes defenderam uma alta de 0,25 ponto percentual. Outros participantes indicaram que novos aumentos poderão ser necessários caso a inflação não apresente desaceleração suficiente.
O petróleo seguiu pressionado para cima pelas tensões no Oriente Médio. Durante a tarde, o Brent operava próximo de US$ 92 por barril, enquanto investidores continuavam monitorando os riscos envolvendo Irã, Estados Unidos e o fluxo de petróleo pela região.
Na Europa, as bolsas terminaram sem direção única, enquanto os mercados asiáticos tiveram uma sessão predominantemente negativa, especialmente no setor de tecnologia, em meio à recente pressão dos juros globais.
Empresas & Setores
Petrobras e Vale contribuíram para a recuperação do Ibovespa e ajudaram a compensar a pressão observada em alguns segmentos ligados à economia doméstica.
A Multi informou uma provisão adicional de aproximadamente R$ 20 milhões para possíveis perdas relacionadas a recebíveis do Grupo Casas Bahia. As ações da companhia reagiram negativamente, enquanto Casas Bahia apresentou recuperação depois das fortes perdas registradas nas sessões anteriores.
A Simpar também esteve no radar após assumir integralmente a participação na CS Mobi Leste SP. No setor de proteínas, a JBS avançou em movimentos societários envolvendo a Pilgrim’s Pride, mantendo o segmento entre os destaques corporativos do mercado.
O varejo continua exigindo atenção. O ambiente de juros elevados, menor circulação de consumidores e episódios recentes de estresse financeiro em empresas do setor reforçam uma leitura mais seletiva para companhias dependentes de crédito e consumo discricionário.
Insights da nossa mesa
O fechamento de hoje mostra como a curva de juros americana continua sendo um dos principais vetores para os ativos brasileiros. A queda dos rendimentos dos Treasuries abriu espaço para valorização do real, fechamento dos juros locais e recuperação da Bolsa.
Ao mesmo tempo, a mensagem do Fed limita uma leitura excessivamente otimista. A possibilidade de manutenção de juros americanos elevados por mais tempo, somada ao petróleo próximo das máximas recentes e às incertezas geopolíticas, mantém a volatilidade no radar.
Para o investidor brasileiro, o ambiente continua favorecendo disciplina e diversificação. O prêmio da renda fixa permanece relevante, enquanto a Bolsa apresenta oportunidades após a correção recente, especialmente em empresas com geração consistente de caixa e menor dependência de financiamento.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.
