Center News | Night Call
Segunda feira, 17 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a sessão praticamente estável, mas manteve a sequência negativa do Ibovespa. No exterior, o aumento das tensões no Oriente Médio elevou o petróleo e pressionou as bolsas americanas, enquanto, no Brasil, dados de atividade econômica reforçaram a percepção de desaceleração gradual da economia.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão aos 166.783,57 pontos, com queda de 0,09%, completando a décima sessão consecutiva de baixa. Em agosto, o índice acumula recuo de 6,30%, embora ainda registre avanço de 3,51% em 2026. O volume financeiro do pregão ficou em aproximadamente R$ 23,1 bilhões.
O dólar comercial terminou em torno de R$ 5,20, com queda próxima de 0,4%, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana frente a outras divisas emergentes. O Banco Central também realizou operações de venda de dólares com compromisso de recompra, dentro da gestão de vencimentos cambiais.
Nos juros futuros, o fechamento foi misto e com movimentos relativamente moderados. O contrato para janeiro de 2027 encerrou em 13,760%, janeiro de 2028 em 13,975%, janeiro de 2029 em 14,310% e janeiro de 2031 em 14,570%. Os vértices mais longos apresentaram leve abertura.
No cenário macroeconômico, o IBC Br recuou 0,6% em junho, em resultado ligeiramente pior que o esperado. Ainda assim, a atividade avançou aproximadamente 0,2% no segundo trimestre, reforçando a leitura de perda de ritmo da economia após um início de ano mais forte.
O Focus divulgado hoje manteve a projeção de inflação de 2026 em 5,02%, com expectativa de PIB próxima de 1,98% e Selic de 13,75% no encerramento do ano. Atualmente, a taxa básica está em 14,00%, após o corte realizado pelo Copom em 5 de agosto.
Entre os papéis do Ibovespa, Magazine Luiza avançou 8,18%, Minerva subiu 5,94%, Braskem ganhou 5,48% e PRIO valorizou 5,03%. Entre as principais quedas ficaram Suzano, com recuo de 3,45%, Cosan, com 2,72%, Hypera, com 2,46%, e Banco do Brasil, com 2,34%.
Internacional
Wall Street terminou o dia no campo negativo, pressionada pela piora da percepção de risco geopolítico. O Dow Jones recuou 0,48%, o S&P 500 caiu 0,52% e o Nasdaq perdeu 0,31%. As tensões entre Estados Unidos e Irã voltaram ao centro das atenções após novas declarações do governo americano, reduzindo o apetite por risco durante a tarde.
O petróleo reagiu fortemente ao cenário. O Brent para outubro encerrou com alta de 2,65%, a US$ 90,87 por barril, movimento relevante para as expectativas globais de inflação e para empresas ligadas ao setor de energia.
A combinação entre petróleo elevado, incerteza geopolítica e dúvidas sobre a trajetória dos juros nas economias desenvolvidas permanece como ponto importante para os ativos de risco. A XP destacou já pela manhã que geopolítica, petróleo e expectativas para inflação e juros estavam entre os principais vetores para a sessão.
Empresas & Setores
O grande destaque corporativo foi o Grupo Casas Bahia, que protocolou pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos. A companhia também divulgou prejuízo superior a R$ 10 bilhões no segundo trimestre. As ações BHIA3 encerraram o dia com forte desvalorização, próxima de 33%.
O episódio afetou a percepção sobre o segmento de varejo mais dependente de crédito, embora Magazine Luiza tenha seguido direção oposta e liderado as altas do Ibovespa. O caso reforça a sensibilidade do setor ao atual ambiente de juros elevados, crédito restrito e desaceleração do consumo.
Entre as grandes commodities, Petrobras PN avançou 0,90%, beneficiada pela valorização internacional do petróleo. A Vale encerrou com alta de 0,15%, mesmo diante de um dia de menor desempenho do minério de ferro.
Os bancos ficaram entre as principais pressões sobre o índice. Banco do Brasil caiu 2,34%, enquanto Itaú e Bradesco também encerraram o pregão em queda, limitando uma tentativa de recuperação mais consistente do Ibovespa.
Insights da nossa mesa
O fechamento de hoje reforça um cenário de divergência entre fundamentos domésticos e riscos externos. A desaceleração gradual da atividade brasileira fortalece a possibilidade de continuidade da flexibilização monetária, mas inflação ainda acima da meta, incerteza fiscal e volatilidade internacional limitam a velocidade desse processo.
Ao mesmo tempo, a décima queda consecutiva do Ibovespa evidencia um mercado com menor disposição para risco e fluxo estrangeiro mais fraco. Nesse ambiente, a seleção de ativos ganha importância, com oportunidades mais específicas em empresas de qualidade, setores beneficiados pelo ciclo de commodities e estratégias de renda fixa que ainda encontram taxas nominais elevadas.
O investidor deve acompanhar especialmente a evolução do petróleo e do conflito no Oriente Médio. Uma escalada adicional poderia gerar novas pressões inflacionárias globais, afetando expectativas de juros e aumentando a volatilidade de moedas, bolsas e curvas de renda fixa.
Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
Na Center Inc., transformamos informação em estratégia.
Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research e Banco Central do Brasil.