Center News | Quinta feira, 13 de agosto de 2026
Night Call
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou esta quinta feira novamente sob pressão, com a percepção de risco doméstico, o fluxo estrangeiro negativo e a temporada de balanços limitando a reação dos ativos locais. No exterior, o cenário foi mais construtivo, com a inflação ao produtor dos Estados Unidos abaixo das expectativas e novos ganhos em Wall Street.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,23%, aos 167.100,95 pontos, acumulando a oitava sessão consecutiva de baixa. A sequência negativa não ocorria desde 2023 e reforça um ambiente de maior cautela com os ativos brasileiros. O volume financeiro foi de aproximadamente R$ 28,1 bilhões.
O dólar comercial avançou 0,15%, encerrando a R$ 5,18. Foi a quarta valorização consecutiva da moeda americana frente ao real, em um movimento associado principalmente à retirada de recursos estrangeiros e à maior percepção de risco fiscal e eleitoral.
O fluxo estrangeiro permanece como um dos principais pontos de atenção. Apenas na terça feira, investidores internacionais retiraram R$ 4,72 bilhões da bolsa brasileira, maior saída diária em mais de cinco anos. Em agosto, até os dados disponíveis, as retiradas já superavam R$ 11,9 bilhões.
Na curva de juros, o ambiente permaneceu dividido entre fatores externos mais favoráveis e a manutenção de prêmios relacionados ao cenário fiscal doméstico. A leitura mais moderada da inflação americana trouxe algum alívio global, enquanto as discussões fiscais e eleitorais continuaram limitando uma melhora mais consistente nos vencimentos brasileiros.
Na agenda econômica, as vendas no varejo brasileiro cresceram cerca de 0,5% em junho frente a maio e avançaram 2,9% na comparação anual. O resultado veio acima das expectativas e mostrou resiliência do consumo, embora segmentos mais dependentes de crédito ainda sintam o impacto dos juros elevados.
Internacional
Nos Estados Unidos, o PPI ficou estável em julho, abaixo da expectativa de alta de 0,1%. Em doze meses, a inflação ao produtor desacelerou para 4,7%, ante 5,5% anteriormente. O núcleo avançou 0,2% no mês, também abaixo da projeção de 0,3%. Os números reduziram a pressão para uma elevação imediata dos juros pelo Federal Reserve.
Wall Street respondeu positivamente. O Dow Jones avançou 0,13%, o S&P 500 ganhou 0,66% e o Nasdaq subiu 0,81%. O S&P 500 encerrou em nova região recorde, beneficiado pela perspectiva de uma postura mais paciente do Fed diante dos dados de inflação.
Nas commodities, o petróleo devolveu parte dos ganhos recentes. O Brent caiu 2,15%, para US$ 87,07 por barril, enquanto o WTI recuou 2,40%, para US$ 81,25. O mercado reagiu aos sinais de menor demanda global e ao forte aumento dos estoques americanos, apesar de as tensões no Oriente Médio continuarem representando risco para a oferta.
Empresas & Setores
A temporada de resultados foi determinante para o desempenho da bolsa brasileira.
Hapvida foi o principal destaque negativo, com queda de 33,09% das ações. A companhia registrou lucro de R$ 12,5 milhões no segundo trimestre, recuo de 95,8% na comparação anual, enquanto questões relacionadas à judicialização e à rentabilidade aumentaram a preocupação do mercado.
Banco do Brasil também pressionou o índice. BBAS3 caiu 4,16%, apesar de o lucro ajustado superar expectativas. O mercado concentrou atenção na inadimplência das pessoas físicas, na carteira do agronegócio e nas pressões sobre o capital da instituição. O banco registrou lucro de aproximadamente R$ 3,9 bilhões no trimestre.
Rede D’Or seguiu na direção oposta e figurou entre os destaques positivos após a divulgação de resultados, ajudando a compensar parcialmente a forte pressão observada em outras companhias do setor de saúde.
Entre empresas ligadas a commodities, CSN Mineração esteve entre as maiores quedas da sessão, enquanto Petrobras apresentou desempenho mais resiliente, mesmo com o forte recuo do petróleo no mercado internacional.
Insights da nossa mesa
O pregão desta quinta feira reforçou uma divergência importante entre Brasil e exterior.
Enquanto os Estados Unidos receberam sinais favoráveis de inflação e avançaram em bolsa, os ativos brasileiros continuaram penalizados pelo fluxo estrangeiro negativo e pelo aumento da sensibilidade ao cenário fiscal e eleitoral.
Para o investidor, o ponto central passa a ser a qualidade do risco assumido. A queda recente do Ibovespa pode abrir oportunidades pontuais em empresas com fundamentos sólidos, mas a proximidade do período eleitoral e a deterioração recente do fluxo recomendam seletividade.
Ao mesmo tempo, o cenário de juros ainda elevados mantém a renda fixa como componente relevante de proteção e geração de retorno. Uma eventual melhora sustentável da bolsa brasileira provavelmente dependerá da combinação entre continuidade da desinflação, avanço do ciclo de redução da Selic e recuperação da confiança sobre a trajetória fiscal.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.
