Night Call – 12/08/2026

Night Call – 12/08/2026
Center News: Night Call | Quarta feira, 12 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a quarta feira ainda sob pressão, mesmo com uma sessão mais construtiva em Wall Street. A inflação americana veio dentro das expectativas, mas, no Brasil, a cautela com juros, fluxo estrangeiro e cenário político continuou limitando a recuperação dos ativos locais.
Brasil
O Ibovespa fechou em queda de 0,23%, aos 167.491 pontos, completando a sétima sessão consecutiva de baixa. Em agosto, o índice acumula retração de aproximadamente 5,90%, enquanto mantém valorização próxima de 4% em 2026. O desempenho reforça a perda de força recente dos ativos brasileiros, após o aumento da percepção de risco e a saída de capital estrangeiro.
No câmbio, o dólar comercial avançou 0,21%, para R$ 5,17, na terceira alta consecutiva frente ao real. A curva de juros futuros também terminou com predominância de altas, revertendo o alívio observado durante a manhã e mantendo o ambiente mais exigente para ativos sensíveis às taxas domésticas.
Na atividade econômica, a Pesquisa Mensal de Serviços mostrou estabilidade em junho frente a maio e crescimento de 2,0% na comparação anual. O resultado foi melhor que parte das projeções de mercado, mas continua compatível com uma leitura de desaceleração gradual da economia ao longo de 2026.
O ambiente doméstico continua sendo influenciado pela combinação entre juros elevados, discussão fiscal, proximidade do ciclo eleitoral e redução recente da exposição estrangeira à Bolsa. Até o último dado disponível, investidores externos haviam retirado R$ 7,212 bilhões da B3 em agosto, embora o saldo de 2026 ainda permanecesse positivo.
Internacional
Nos Estados Unidos, o CPI avançou 0,1% em julho e 3,4% em doze meses, exatamente em linha com as expectativas do mercado. O núcleo da inflação acumulou alta de 2,5% em doze meses. A leitura reduziu a pressão por uma elevação imediata dos juros pelo Federal Reserve e trouxe algum alívio aos ativos de risco.
Wall Street respondeu de forma majoritariamente positiva. O S&P 500 avançou 0,26%, para 7.748 pontos, e o Nasdaq ganhou 0,54%, para 26.588 pontos. O Dow Jones ficou praticamente estável, com queda de 0,04%. O comportamento mostra que o mercado americano segue sustentado principalmente pelo segmento de tecnologia, apesar das dúvidas sobre inflação e política monetária.
No mercado de energia, o petróleo permaneceu próximo das máximas recentes, com o Brent em torno de US$ 89 por barril. As tensões envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz continuam no radar por seu potencial de pressionar energia e inflação global.
Empresas & Setores
Entre os destaques positivos, Embraer avançou 4,00%, enquanto Vale ganhou 0,79%, beneficiada pelo movimento do minério de ferro na China. O setor frigorífico também apresentou desempenho positivo em parte do pregão.
Na ponta negativa, Petrobras preferencial recuou 0,50%, apesar da relativa estabilidade do petróleo. Entre os bancos, Itaú caiu 1,46%, Banco do Brasil perdeu 1,45% e Bradesco recuou 0,30%, enquanto Santander avançou 0,34%.
A temporada de resultados também movimentou preços. Direcional caiu 4,72% após números que mostraram pressão de cancelamentos e despesas. A B3 recuou 0,36% após a divulgação de seu balanço. Banco do Brasil, Suzano, CSN, CSN Mineração e outras companhias tinham resultados previstos para depois do fechamento, portanto os números que forem publicados posteriormente passam a ser relevantes para a abertura de quinta feira.
Insights da nossa mesa
O pregão de hoje reforça uma divergência importante entre Brasil e exterior. A inflação americana dentro das expectativas ajudou Wall Street e diminuiu parte do temor de um novo aperto monetário imediato pelo Fed, mas o Ibovespa não conseguiu acompanhar o movimento.
No mercado doméstico, o principal ponto de atenção continua sendo o prêmio de risco. Mesmo com dados de atividade mostrando desaceleração gradual, a combinação entre juros elevados, incerteza eleitoral, fluxo estrangeiro negativo e questões fiscais dificulta uma recuperação mais consistente da Bolsa.
Para o investidor brasileiro, o momento favorece seletividade. A renda fixa continua oferecendo taxas relevantes, enquanto a Bolsa começa a apresentar preços mais descontados após a sequência de quedas. A estratégia deve considerar qualidade dos ativos, diversificação e horizonte de investimento, evitando decisões baseadas apenas nos movimentos de curto prazo.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e XP Research.

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