Night Call – 11/08/2026

Night Call – 11/08/2026
Center News Night Call | Terça feira, 11 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou esta terça feira em forte aversão a risco. Inflação doméstica acima das expectativas, aumento da cautela política, saída de capital estrangeiro e um ambiente externo mais defensivo pressionaram bolsa e câmbio. No exterior, a atenção se voltou novamente ao Oriente Médio, ao avanço do petróleo e à inflação americana que será divulgada amanhã.
Brasil
O Ibovespa fechou aos 167.874 pontos, em queda de 2,50%, renovando o menor nível desde janeiro. O movimento refletiu pressão disseminada sobre ações de grande peso e novos sinais de redução da exposição de investidores estrangeiros ao mercado local.
O dólar avançou cerca de 1,01% e encerrou próximo de R$ 5,16, em uma sessão marcada pelo aumento da percepção de risco doméstico após a divulgação do IPCA e por movimentos no cenário eleitoral.
O principal indicador do dia foi o IPCA de julho, que avançou 0,07%, ante 0,16% em junho. Apesar da desaceleração, o resultado ficou acima das expectativas e foi classificado pela XP como uma surpresa altista. Em 12 meses, a inflação ficou em 4,44%, enquanto o acumulado de 2026 chegou a 3,44%. Habitação teve alta de 0,99%, enquanto alimentação e bebidas recuaram 0,67%.
Para o investidor, a leitura reforça a necessidade de acompanhar a velocidade do processo de desinflação. O Copom reduziu recentemente a Selic para 14% ao ano, mas uma sequência de dados acima do esperado poderia limitar o espaço para novos cortes mais acelerados. A própria XP mantém projeção de Selic em 14% no fim de 2026.
Internacional
Wall Street encerrou o dia em queda, com investidores adotando postura mais cautelosa antes da divulgação do CPI dos Estados Unidos nesta quarta feira. O dado será relevante para as próximas expectativas sobre a condução dos juros pelo Federal Reserve.
O cenário geopolítico também voltou ao centro das atenções. As negociações envolvendo o Estreito de Ormuz mostraram pouco avanço, elevando novamente as preocupações com a oferta global de energia. O Brent chegou a negociar próximo de US$ 89 por barril, após novas altas durante a sessão.
A combinação de petróleo mais caro e inflação americana no radar cria uma sensibilidade adicional para os Treasuries e para as expectativas sobre o Fed. Um CPI mais resistente pode reforçar a percepção de juros elevados por mais tempo, enquanto uma leitura mais favorável poderia aliviar parcialmente os ativos de risco.
Empresas & Setores
O setor financeiro teve peso importante sobre o desempenho negativo do índice. O Itaú encerrou com queda superior a 3%, enquanto a deterioração do fluxo estrangeiro atingiu principalmente ações de maior liquidez. Vale caiu cerca de 2% e Petrobras também terminou no campo negativo, mesmo com a valorização internacional do petróleo.
Entre os destaques corporativos, Natura avançou após resultados do segundo trimestre superarem expectativas mais conservadoras do mercado. No segmento siderúrgico, Usiminas e Gerdau sofreram forte pressão depois de cortes de recomendação pelo BBA.
Após o fechamento, o PagBank reportou lucro recorrente de R$ 576 milhões no segundo trimestre, adicionando mais um resultado à atual temporada de balanços.
A XP também destacou nesta terça feira análises sobre Iguatemi, Tenda e mercado imobiliário, além de seu acompanhamento semanal de paridade de preços da Petrobras.
Insights da nossa mesa
A sessão de hoje mostrou que o mercado brasileiro continua bastante sensível à combinação entre inflação, percepção fiscal, cenário político e fluxo estrangeiro.
A queda expressiva do Ibovespa não deve ser analisada apenas pelo movimento de um único pregão. Com a Selic ainda em patamar elevado, a renda fixa continua oferecendo carregamento relevante, enquanto a volatilidade da bolsa exige maior seletividade e diversificação.
No curto prazo, o dado de inflação dos Estados Unidos nesta quarta feira tende a direcionar o humor global. Para o investidor brasileiro, a atenção deve permanecer dividida entre a trajetória da inflação doméstica, a velocidade dos próximos cortes de juros e o comportamento do capital estrangeiro.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research e IBGE.

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