Morning Call – 14/08/2026

Morning Call – 14/08/2026
Center News | Sexta feira, 14 de agosto de 2026
Bom dia! Os mercados globais começam a sexta feira com cautela, divididos entre sinais mais favoráveis de inflação nos Estados Unidos e a renovação do prêmio de risco geopolítico no petróleo. No Brasil, a abertura indica dólar mais fraco, enquanto o Ibovespa futuro inicia o dia em queda, ainda pressionado pelo ambiente fiscal, eleitoral e pela temporada de resultados.
Brasil
O Ibovespa encerrou a quinta feira em queda de 0,23%, aos 167.100 pontos, completando oito sessões consecutivas de baixa. A sessão foi marcada principalmente pela reação aos balanços corporativos. MRV avançou 14,3%, Cogna 7,9%, Rede D’Or 6,3% e Ultrapar 5,1%, enquanto Hapvida caiu 33,1% após números considerados fracos no segundo trimestre.
Na abertura desta manhã, o Ibovespa futuro recuava 0,36%, aos 170.075 pontos, enquanto o dólar comercial abriu em baixa de 0,27%, próximo de R$ 5,18. O dólar futuro também começou o pregão em queda.
Nos juros, a quinta feira terminou com comportamento misto. O DI para janeiro de 2027 fechou em 13,75%, enquanto janeiro de 2031 avançou para 14,53%. A parte curta da curva segue refletindo expectativa de flexibilização monetária, enquanto os vencimentos longos carregam prêmio adicional relacionado às incertezas fiscais.
No cenário macroeconômico, as vendas do varejo restrito cresceram 0,5% em junho, acima das projeções, mas o desempenho do segundo trimestre ainda aponta perda gradual de força do consumo. A XP mantém projeção de crescimento de 2,0% para o PIB brasileiro em 2026. Não há divulgação de indicadores domésticos de grande impacto prevista para hoje.
Outro ponto relevante está na relação comercial com os Estados Unidos. O governo brasileiro iniciou um processo de reciprocidade em resposta à tarifa de 25% aplicada ao país. A leitura inicial é de que a medida busca ampliar espaço para negociação antes de eventual adoção de contramedidas.
Internacional
Os futuros americanos operam próximos da estabilidade depois de o S&P 500 renovar máximas históricas na quinta feira. Pela manhã, S&P 500 e Nasdaq futuro apresentavam variações próximas de zero, enquanto os mercados europeus mostravam desempenho moderadamente negativo.
A inflação ao produtor dos Estados Unidos ficou estável em julho, abaixo da expectativa de alta de 0,2%, enquanto a taxa anual desacelerou para 4,7%. O resultado, somado a sinais anteriores de moderação inflacionária e menor dinamismo do mercado de trabalho, reduziu as apostas em uma nova elevação dos juros pelo Federal Reserve em setembro.
Os Treasuries também reagiram. O rendimento do título americano de dez anos encerrou ontem próximo de 4,64% e operava nesta manhã ao redor de 4,66%.
A principal divulgação do dia será a de vendas no varejo dos Estados Unidos, às 9h30 pelo horário de Brasília, com expectativa de crescimento mensal de 0,1%. O dado será importante para medir a resistência do consumo americano e pode alterar novamente as expectativas sobre a trajetória dos juros. A confiança do consumidor da Universidade de Michigan também está no radar.
Na Europa, o PIB da Zona do Euro confirmou crescimento de 0,4% no segundo trimestre, com expansão anual de 1,0%. Na China, novos empréstimos bancários recuaram inesperadamente em julho, reforçando sinais de fragilidade da demanda doméstica.
O petróleo permanece como importante fonte de volatilidade. O Brent opera na região de US$ 87 a US$ 88 por barril, sustentado pelo aumento das tensões entre Estados Unidos e Irã e pelos riscos ao fluxo de energia no Estreito de Ormuz.
Empresas & Setores
A temporada de balanços continua concentrando atenção na Bolsa brasileira. Vibra Energia, Copasa e Cosan estão entre as companhias com resultados previstos para esta sexta feira.
Entre as análises divulgadas pela XP, o Bradesco segue apresentando recuperação gradual dos resultados, mas a instituição mantém recomendação neutra diante de riscos macroeconômicos e de qualidade de crédito. Para o Nubank, a XP destacou lucro recorde de US$ 1,1 bilhão no segundo trimestre e manteve recomendação de compra.
A XP também avaliou positivamente os números da LWSA, com avanço de rentabilidade e margem EBITDA recorde, enquanto mantém visão mais cautelosa para companhias ligadas a segmentos sensíveis ao ciclo econômico, diante do nível elevado dos juros domésticos.
Insights da nossa mesa
O início da sessão combina dois vetores importantes para o investidor brasileiro. No exterior, a moderação dos dados de inflação americana reduz parte da pressão relacionada aos juros, mas o petróleo elevado e o cenário geopolítico continuam adicionando volatilidade. No Brasil, a melhora do dólar na abertura não elimina a pressão sobre a curva longa de juros e sobre a Bolsa, que ainda precisa recuperar confiança após oito quedas consecutivas.
Nesse ambiente, disciplina na alocação segue essencial. A renda fixa continua oferecendo retornos elevados, enquanto a renda variável apresenta oportunidades mais seletivas, especialmente em empresas com balanços sólidos, geração consistente de caixa e menor dependência do ciclo doméstico.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e XP Research.

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