Center News: Morning Call | Segunda feira, 24 de Agosto de 2026
Bom dia! Os mercados iniciam a semana com cautela. A recuperação dos ativos brasileiros na sexta feira melhora o ponto de partida para a sessão, mas o ambiente externo permanece desafiador, com pressão sobre ações de tecnologia, juros americanos ainda elevados e tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. No Brasil, o foco está nas expectativas de inflação e juros, no cenário eleitoral e nos indicadores econômicos que serão divulgados ao longo da semana.
Brasil
O Ibovespa encerrou a sexta feira em alta de 1,85%, aos 171.031 pontos, garantindo avanço de 2,45% na semana. O movimento marcou a terceira sessão consecutiva de valorização depois de uma sequência de onze quedas. Bancos e Vale estiveram entre os principais suportes do índice. Apesar da recuperação, o Ibovespa ainda acumulava perda próxima de 3,9% em agosto.
No câmbio, o dólar comercial terminou a última sessão próximo de R$ 5,14, com queda de aproximadamente 1% no dia e recuo de 1,53% na semana. O movimento refletiu enfraquecimento da moeda americana no exterior e maior procura por ativos de risco.
Na renda fixa, a curva de juros continua particularmente sensível ao comportamento dos Treasuries e às expectativas para a inflação. A Selic está atualmente em 14,00% ao ano, após o corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo Copom no início de agosto. O Banco Central reforçou que os riscos inflacionários permanecem elevados e que os próximos movimentos dependerão da evolução dos dados.
O Relatório Focus é um dos destaques desta manhã. Na edição anterior, a mediana do mercado apontava IPCA de 5,02% para 2026, PIB próximo de 1,98%, dólar em R$ 5,20 e Selic de 13,75% ao final do ano. A nova leitura serve como referência importante para avaliar se a melhora recente de alguns indicadores de inflação começa a alterar as expectativas dos economistas.
A agenda doméstica fica mais relevante nos próximos dias. Na quarta feira será divulgado o IPCA 15 de agosto. Na quinta feira, o mercado acompanha os dados de desemprego de julho. Na sexta feira, entram no radar o IGP M e o Caged. A XP espera uma queda relevante na leitura mensal do IPCA 15, influenciada principalmente pelo efeito das tarifas de energia elétrica.
A desaceleração da atividade também permanece no radar. Segundo a XP, o IBC Br recuou 0,6% em junho e avançou apenas 0,2% no segundo trimestre, ante crescimento de 1,3% no primeiro trimestre. A casa projeta crescimento de aproximadamente 2,0% para o PIB brasileiro em 2026.
Internacional
As bolsas asiáticas encerraram a sessão predominantemente no campo negativo. O Hang Seng recuou mais de 2%, enquanto o mercado sul coreano também registrou queda expressiva, pressionado principalmente por ações de tecnologia. A China continental igualmente fechou em baixa.
Nos Estados Unidos, os futuros apontam para uma abertura mais fraca, principalmente no setor de tecnologia. Pela manhã, os contratos do Nasdaq 100 chegaram a recuar cerca de 0,7%, enquanto S&P 500 e Dow Jones apresentavam perdas mais moderadas. Investidores se posicionam para uma semana com resultados relevantes de empresas de tecnologia e novos sinais sobre a política monetária americana.
Os Treasuries permanecem entre os principais vetores de risco global. O rendimento do título americano de dez anos operava próximo de 4,70% nesta manhã, enquanto o título de trinta anos permanecia acima de 5,20%. Apesar de algum alívio hoje, os juros longos continuam em níveis historicamente elevados, refletindo preocupações fiscais, inflação e o crescimento do endividamento americano.
No mercado de petróleo, o Brent recuava para a região de US$ 93 por barril, depois de uma valorização superior a 6% na semana passada. A queda reduz parcialmente a pressão inflacionária, mas o nível continua elevado diante das tensões entre Estados Unidos e Irã e das dificuldades no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz.
A semana internacional concentra eventos importantes. O mercado acompanha os próximos dados de inflação PCE nos Estados Unidos, indicadores de atividade, resultados de grandes empresas de tecnologia e as sinalizações do Federal Reserve durante o encontro de Jackson Hole. O comportamento dos juros americanos continuará sendo determinante para moedas e ativos de países emergentes.
Empresas & Setores
No Brasil, bancos chegam ao pregão depois de terem sido importantes responsáveis pela recuperação do Ibovespa na sexta feira. Itaú e Bradesco avançaram perto de 3% na última sessão, enquanto Vale subiu cerca de 1,4%. Petrobras terminou praticamente estável, mesmo com o petróleo em níveis elevados.
A XP avalia que a temporada de resultados do segundo trimestre foi heterogênea. Óleo, gás e petroquímicos estiveram entre os segmentos de melhor desempenho, enquanto consumo e empresas mais sensíveis ao crédito continuaram pressionados pelo ambiente de juros elevados e desaceleração da atividade.
Braskem merece atenção específica nesta sessão. A companhia chegou ao prazo de 24 de agosto para avançar em uma solução com credores, após semanas de negociação para uma possível reestruturação financeira. O tema pode gerar volatilidade nos papéis da companhia e também permanece no radar de investidores da Petrobras, uma de suas principais acionistas.
No exterior, o setor de tecnologia será um dos principais focos da semana. O mercado aguarda os resultados da Nvidia, que podem influenciar a percepção sobre investimentos em inteligência artificial, demanda por semicondutores e o nível de valorização das grandes empresas de tecnologia.
Insights da nossa mesa
A recuperação do Ibovespa e do real no final da semana passada melhora o ambiente doméstico no curto prazo, mas ainda não representa uma mudança definitiva de tendência. O mercado brasileiro continua exposto à combinação entre risco fiscal, cenário eleitoral, inflação e fluxo estrangeiro.
No exterior, o ponto central continua sendo a curva de juros americana. Enquanto os Treasuries permanecerem próximos das máximas recentes, ativos de risco tendem a enfrentar maior seletividade. Um recuo consistente das taxas pode favorecer mercados emergentes, enquanto uma nova abertura da curva tende a pressionar bolsa, câmbio e juros brasileiros.
Para o investidor, a semana reforça a importância da diversificação e da disciplina na alocação. A renda fixa continua oferecendo taxas relevantes, enquanto a bolsa apresenta oportunidades pontuais em empresas com geração de caixa consistente e menor dependência do ciclo doméstico.
Os principais gatilhos dos próximos dias serão a inflação brasileira, os dados americanos, o comportamento dos Treasuries e as sinalizações do Federal Reserve. Esses fatores devem determinar se a recuperação observada no final da última semana terá continuidade.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, Banco Central do Brasil e Reuters.
