Center News | Sexta feira, 21 de agosto de 2026
Bom dia! Os mercados globais iniciam esta sexta feira com cautela. A pressão nos juros longos americanos voltou ao radar, enquanto o petróleo permanece em níveis elevados e o dólar perde força no exterior. No Brasil, a atenção se divide entre o comportamento dos ativos locais, depois da recuperação observada ontem, o ambiente fiscal e eleitoral e o vencimento de opções sobre ações na B3.
Brasil
O Ibovespa encerrou a quinta feira em alta de aproximadamente 0,06%, na região dos 167 mil pontos, interrompendo uma sequência prolongada de sessões negativas. O movimento veio acompanhado de melhora no câmbio, com o dólar próximo de R$ 5,19, e fechamento das taxas de juros futuros, especialmente nos vencimentos mais longos, que recuaram mais de 10 pontos base.
A recuperação, porém, ocorre depois de semanas de pressão sobre os ativos domésticos. A redução do fluxo estrangeiro, as incertezas eleitorais e fiscais e o elevado nível dos juros seguem limitando uma recuperação mais consistente da Bolsa. Dados recentes mostram que o Ibovespa retornou para a região dos 167 mil pontos depois de ter se aproximado dos 199 mil pontos no primeiro semestre.
Na referência disponível para os contratos futuros nesta manhã, o índice futuro indicava leve viés negativo, ao redor de 0,2%, sugerindo uma abertura mais cautelosa para o mercado doméstico.
Outro fator técnico importante para a sessão é o vencimento de opções sobre ações nesta sexta feira, evento que pode ampliar o volume negociado e gerar volatilidade pontual em alguns dos principais papéis da Bolsa.
Internacional
No exterior, o principal foco permanece no mercado de títulos dos Estados Unidos. Os juros dos Treasuries voltaram a avançar depois de o Tesouro americano anunciar a ampliação das recompras de títulos de longo prazo. A medida trouxe alívio inicialmente, mas não eliminou as preocupações com inflação, déficit fiscal e o volume da dívida americana, que ultrapassou US$ 40 trilhões.
Na sessão de ontem, Wall Street terminou em queda, com o Dow Jones recuando 1,3%, o S&P 500 cerca de 0,9% e o Nasdaq aproximadamente 1%. O Treasury de dez anos chegou à região de 4,70%, enquanto o título de trinta anos ficou acima de 5,20%.
Nesta manhã, os futuros americanos operavam próximos da estabilidade, enquanto as bolsas europeias apresentavam pouca variação. O STOXX 600 avançava cerca de 0,1% nas primeiras horas de negociação.
O petróleo também exige atenção. O Brent chegou a tocar aproximadamente US$ 94,70 por barril, máxima de um mês, diante das tensões no Golfo e das dificuldades diplomáticas envolvendo o Irã. Energia mais cara tende a aumentar o risco inflacionário global e pode dificultar o processo de flexibilização monetária nas principais economias.
No câmbio internacional, o dólar apresentava enfraquecimento frente às principais moedas, em meio às preocupações com a situação fiscal americana e à discussão sobre a atuação do Tesouro no mercado de títulos.
A agenda dos Estados Unidos inclui hoje os PMIs preliminares de indústria e serviços, indicadores importantes para a leitura da atividade econômica e das próximas decisões do Federal Reserve.
Empresas & Setores
No exterior, Walmart foi um dos destaques negativos da sessão anterior, com queda superior a 9% após números de vendas abaixo das expectativas, contribuindo para a piora do sentimento em Wall Street.
No Brasil, setores sensíveis aos juros, como varejo, construção e empresas de crescimento, continuam especialmente expostos à evolução das curvas de juros doméstica e americana. Em contrapartida, exportadoras podem encontrar algum suporte em episódios de desvalorização do real e na manutenção das commodities em patamares elevados.
A sessão também pode apresentar maior movimentação em ações individuais por conta do vencimento de opções. Entre os eventos societários previstos para hoje, Grendene e Banco BMG entram em data sem direito a determinados pagamentos de JCP, adicionando efeitos técnicos sobre as cotações.
Insights da nossa mesa
O mercado inicia a sexta feira equilibrando dois vetores distintos. De um lado, a melhora recente dos ativos brasileiros e o enfraquecimento global do dólar oferecem algum suporte ao real e à Bolsa. Do outro, a combinação entre Treasuries pressionados, petróleo elevado e dúvidas sobre a trajetória fiscal americana mantém elevada a volatilidade dos ativos de risco.
Para o investidor brasileiro, o comportamento dos juros continua sendo uma variável central. Uma nova abertura das taxas internacionais pode limitar o espaço para valorização da Bolsa e pressionar setores mais sensíveis ao custo de capital. Ao mesmo tempo, o elevado nível dos juros domésticos continua oferecendo taxas atrativas em renda fixa.
A sessão tende a exigir seletividade e diversificação. O vencimento de opções pode adicionar ruído aos movimentos de curto prazo, enquanto a leitura dos indicadores americanos será importante para calibrar as expectativas sobre juros globais.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, Reuters e B3.