Center News | Morning Call | Quinta feira, 20 de Agosto de 2026
Bom dia! Os mercados começam esta quinta feira com maior cautela. A ata do Federal Reserve reforçou a preocupação com a inflação nos Estados Unidos, enquanto a alta dos rendimentos dos Treasuries e a valorização do petróleo voltam a limitar o apetite por risco. No Brasil, os investidores avaliam a recuperação do Ibovespa ontem e os efeitos do cenário externo sobre câmbio e juros.
Brasil
O Ibovespa interrompeu ontem uma sequência prolongada de quedas e encerrou a sessão com valorização próxima de 0,9%, na região dos 167,8 mil pontos. O movimento foi favorecido pelo recuo dos juros americanos durante parte do pregão e pela melhora das ações ligadas a commodities. O dólar comercial também perdeu força frente ao real, encerrando próximo de R$ 5,18.
Na política monetária, a Selic permanece em 14,00% ao ano, após o corte promovido pelo Copom no início de agosto. O Banco Central reforçou que a inflação ainda exige cautela e que as expectativas seguem acima da meta, mantendo elevada a sensibilidade da curva de juros aos dados fiscais, à inflação e ao cenário internacional.
Para esta manhã, a leitura doméstica tende a ser marcada principalmente pelo exterior. A retomada da alta dos Treasuries pode gerar pressão sobre os juros futuros e limitar uma continuidade mais forte da recuperação dos ativos brasileiros.
Internacional
Nos Estados Unidos, a ata da reunião de julho do Federal Reserve mostrou aumento da preocupação dos dirigentes com a inflação. Vários membros indicaram que uma elevação dos juros poderia ser necessária caso o processo de desinflação perca força, reforçando uma postura mais conservadora da autoridade monetária.
Após o alívio observado ontem com o anúncio do Tesouro americano de ampliação das recompras de títulos de longo prazo, os rendimentos voltaram a subir nesta manhã. O Treasury de 10 anos operava próximo de 4,71%, enquanto o título de 30 anos alcançava cerca de 5,26%. Os futuros de Wall Street apresentavam queda, com Dow Jones e Nasdaq recuando aproximadamente 0,5% e o S&P 500 perto de 0,3% de baixa.
O petróleo também permanece no radar. O WTI voltou a se aproximar de US$ 89 por barril, refletindo as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã. A persistência de preços elevados de energia aumenta o risco inflacionário global e pode dificultar uma flexibilização mais rápida das políticas monetárias.
Ao longo do dia, investidores acompanham os pedidos semanais de seguro desemprego nos Estados Unidos e o índice de atividade industrial do Federal Reserve da Filadélfia, indicadores que podem provocar novos ajustes nas expectativas para juros.
Empresas & Setores
Petrobras ganha atenção adicional nesta quinta feira com o pagamento da primeira parcela de juros sobre capital próprio anunciada anteriormente pela companhia, no valor de aproximadamente R$ 0,3504 por ação. O comportamento do petróleo também permanece como importante vetor para os papéis da estatal.
Localiza também realiza hoje pagamento de juros sobre capital próprio, no valor de aproximadamente R$ 0,5351 por ação, conforme calendário acompanhado pela XP Research.
No exterior, Walmart apresentou resultados trimestrais acima das expectativas em lucro e receita, mas uma projeção mais fraca para o trimestre seguinte pressionava as ações no mercado anterior à abertura, contribuindo para o tom negativo dos índices futuros americanos.
Para a Bolsa brasileira, empresas ligadas a petróleo podem continuar recebendo suporte da valorização da commodity, enquanto segmentos mais sensíveis aos juros, como varejo, construção e empresas de menor capitalização, permanecem mais vulneráveis à abertura da curva.
Insights da nossa mesa
A recuperação do mercado brasileiro observada ontem encontrou suporte em um ambiente externo temporariamente mais favorável, mas a combinação entre inflação ainda elevada, Treasuries próximos de níveis relevantes e petróleo em alta recomenda seletividade.
O diferencial de juros brasileiro segue oferecendo suporte ao real e mantém a renda fixa atrativa, enquanto a Bolsa apresenta oportunidades após a correção recente. No curto prazo, porém, a direção dos ativos tende a continuar muito dependente da trajetória dos juros americanos e da evolução das tensões geopolíticas.
Para o investidor, o momento favorece uma carteira equilibrada, preservando posições defensivas em renda fixa e avaliando oportunidades em renda variável de maneira gradual e criteriosa.
“Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research, Banco Central do Brasil, Reuters e fontes oficiais americanas.
