Center News | Terça feira, 18 de agosto de 2026
Bom dia! Os mercados iniciam esta terça feira em ambiente de maior aversão ao risco. A piora das tensões entre Estados Unidos e Irã voltou a pressionar o petróleo e os juros globais, enquanto investidores avaliam os sinais de desaceleração da economia brasileira e seus efeitos sobre os próximos passos do Banco Central.
Brasil
O Ibovespa encerrou a segunda feira aos 166.784 pontos, com queda de 0,09%, completando o décimo pregão consecutivo de baixa, a maior sequência negativa desde agosto de 2023. O setor bancário esteve entre as principais pressões, com Banco do Brasil, Bradesco e Itaú recuando, enquanto PRIO e Ultrapar avançaram acompanhando a valorização do petróleo. Magazine Luiza também figurou entre as maiores altas.
No câmbio, o dólar encerrou a sessão anterior próximo de R$ 5,20, após uma semana de maior pressão sobre os ativos brasileiros. Na abertura desta terça feira, o ambiente externo mais defensivo e a elevação das taxas internacionais mantêm o câmbio como um dos principais pontos de atenção.
Na curva de juros doméstica, os contratos encerraram ontem com leve fechamento. O DI janeiro de 2027 terminou em 13,76%, o DI janeiro de 2029 em 14,31% e o DI janeiro de 2031 em 14,57%. A desaceleração da atividade econômica favoreceu o movimento, embora a alta do petróleo tenha limitado a queda das taxas.
O Boletim Focus manteve a projeção de inflação para 2026 em 5,02%, a expectativa para a Selic no fim do ano em 13,75% e a estimativa para o crescimento do PIB em 1,98%. Para 2027, a mediana da inflação avançou para 4,24%, enquanto a projeção de crescimento recuou para 1,50%.
O IBC Br de junho recuou 0,6% frente a maio, reforçando os sinais de perda de força da atividade. No segundo trimestre, o indicador avançou apenas 0,2%, após crescimento de 1,3% no primeiro trimestre. A desaceleração pode ganhar importância para as expectativas sobre o ritmo de flexibilização monetária ao longo dos próximos meses.
Internacional
O principal vetor desta manhã vem novamente do Oriente Médio. O acordo temporário entre Estados Unidos e Irã expirou e Washington indicou que não pretende prorrogá lo nas condições atuais. O impasse elevou novamente o risco geopolítico e levou o petróleo Brent para perto de US$ 91 por barril durante a manhã.
Por volta da abertura brasileira, os futuros americanos operavam em queda, com o S&P 500 recuando cerca de 0,6% e o Nasdaq 100 aproximadamente 1,3%. Na Europa, o Stoxx 600 também cedia aproximadamente 0,6%. Na Ásia, o Nikkei caiu 2,8% e o Kospi recuou 1,6%.
Além do petróleo, o mercado acompanha uma alta relevante dos juros soberanos globais. O Treasury americano de 30 anos alcançou 5,31% na sessão anterior, maior nível desde 2007, enquanto os títulos japoneses também registraram forte pressão. Juros globais mais elevados tendem a reduzir o apetite por ativos de risco e aumentar a competição por capital enfrentada pelos mercados emergentes.
Na agenda americana de hoje, investidores acompanham dados de produção industrial, utilização da capacidade instalada, construção residencial e preços de importação e exportação. A leitura desses indicadores poderá influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve.
Empresas & Setores
Petróleo e energia ganham protagonismo nesta manhã. Com o Brent próximo de US$ 91, empresas ligadas à produção de óleo podem apresentar maior sensibilidade positiva, embora uma escalada geopolítica também eleve os riscos para inflação, juros e atividade global. PRIO e Ultrapar já estiveram entre os destaques positivos da sessão anterior.
Casas Bahia permanece no radar após o pedido de recuperação judicial envolvendo aproximadamente R$ 17,3 bilhões em passivos. O processo aumenta a percepção de risco sobre a companhia e já provocou revisões negativas entre instituições financeiras. A empresa informou que pretende manter suas operações durante a reorganização.
No setor de papel e celulose, a XP destacou sinais de estabilização dos preços da celulose de fibra curta, apoiados por estoques mais equilibrados e melhora nas carteiras de pedidos na Europa e na China, fator relevante para companhias como Klabin e Suzano.
Também permanece em destaque o movimento da Ecopetrol na Brava Energia. A estatal colombiana avançou no processo para assumir uma participação controladora de 51% na companhia brasileira, reforçando a movimentação societária no segmento independente de petróleo e gás.
Insights da nossa mesa
O início desta terça feira combina dois vetores que merecem atenção especial: desaceleração da atividade brasileira e aumento do risco inflacionário global provocado pelo petróleo.
No mercado doméstico, dados mais fracos de atividade fortalecem a perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic. Por outro lado, uma alta persistente do petróleo pode pressionar expectativas de inflação, elevar os juros internacionais e diminuir o espaço para movimentos mais agressivos dos bancos centrais.
Para o investidor brasileiro, o ambiente reforça a importância da diversificação. A renda fixa continua beneficiada por taxas elevadas, enquanto a renda variável exige maior seletividade, com atenção especial a empresas de qualidade, balanços sólidos e setores capazes de navegar períodos de volatilidade externa.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea e XP Research.