Center News Night Call | Quarta feira, 23 de setembro de 2026
Boa noite! Os mercados encerraram esta quarta feira em ambiente de maior aversão ao risco. A retomada da alta do petróleo, o avanço dos rendimentos dos Treasuries e dados fortes de atividade nos Estados Unidos reacenderam preocupações com inflação e juros globais, pressionando bolsas e moedas emergentes.
Brasil
O Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,86%, aos 185.814 pontos, depois de chegar a subir mais de 0,7% durante a sessão. O índice oscilou entre 185.676 e 188.772 pontos, com volume financeiro de aproximadamente R$ 20,8 bilhões. A melhora inicial, apoiada principalmente pela Petrobras, perdeu força conforme o ambiente externo se deteriorou.
No câmbio, o dólar comercial avançou 1,28%, encerrando a R$ 5,168. O fortalecimento global da moeda americana ocorreu em meio à alta dos Treasuries, ao avanço do petróleo e à revisão das expectativas para os juros americanos. No cenário doméstico, investidores também acompanharam novas pesquisas eleitorais e seus possíveis reflexos sobre expectativas fiscais, sem definição clara sobre seus efeitos futuros.
A curva de juros brasileira apresentou pressão de alta ao longo do dia. Pela manhã, o DI para janeiro de 2029 avançava para 13,74%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 alcançava 13,93%. A estrutura a termo divulgada pela Anbima também mostrava abertura das taxas em diversos vencimentos intermediários e longos.
O movimento acontece poucos dias após o Copom reduzir a Selic para 13,75% ao ano. A ata divulgada ontem reforçou que eventuais novos cortes dependerão da evolução da inflação, da atividade e das expectativas, mantendo a política monetária brasileira condicionada aos próximos dados.
Internacional
Wall Street terminou o dia no campo negativo. O S&P 500 recuou 0,75%, para 7.706 pontos. O Nasdaq perdeu 1,13%, aos 26.936 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 0,68%, para 51.512 pontos. Nove dos onze principais setores do S&P 500 fecharam em baixa.
O principal catalisador foi uma combinação de petróleo mais caro e atividade americana forte. O PMI composto dos Estados Unidos avançou para 58,4 em setembro, maior nível desde julho de 2021, contra 56,0 em agosto. A leitura reforçou a percepção de resiliência econômica e elevou as expectativas de que o Federal Reserve possa manter uma postura monetária mais restritiva.
Os rendimentos dos Treasuries avançaram significativamente. O título americano de dois anos atingiu o maior rendimento desde 2024, enquanto o Treasury de dez anos chegou ao maior nível desde 2007. O diretor do Fed Michael Barr também afirmou que novas altas de juros provavelmente serão necessárias diante de uma inflação ainda acima da meta de 2%.
No mercado de commodities, o petróleo voltou a superar a região de US$ 100 por barril e avançou quase 4%, em meio à renovação das tensões envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento é especialmente relevante porque preços elevados de energia podem aumentar a pressão inflacionária e dificultar a flexibilização monetária nas principais economias.
O ouro, por sua vez, caiu 1,33%, para US$ 4.318,40 por onça, pressionado pela valorização do dólar e pelo avanço dos juros americanos.
Empresas & Setores
Petrobras ganhou destaque durante parte do pregão brasileiro, acompanhando a forte valorização internacional do petróleo. O movimento chegou a ajudar o Ibovespa a superar os 188 mil pontos durante a manhã, embora a piora generalizada dos mercados tenha predominado no fechamento.
Nos Estados Unidos, o setor de energia esteve entre as exceções positivas diante da valorização do petróleo. Em sentido contrário, serviços públicos e serviços de comunicação apresentaram algumas das maiores perdas do S&P 500, enquanto ações como Alphabet e Amazon contribuíram para a pressão sobre os principais índices.
Insights da nossa mesa
A sessão reforça como energia e juros continuam conectando os principais vetores de risco dos mercados. O petróleo novamente acima de US$ 100 amplia a preocupação inflacionária, enquanto dados fortes de atividade americana reduzem o espaço percebido para uma política monetária mais flexível nos Estados Unidos.
Para o investidor brasileiro, esse ambiente tende a manter elevada a volatilidade de câmbio e juros, mesmo após o início do ciclo de redução da Selic. Nesse contexto, diversificação, disciplina na alocação e atenção à qualidade dos ativos seguem especialmente relevantes, evitando decisões baseadas apenas nos movimentos de curto prazo.
Acompanhe os movimentos do mercado com quem entende do assunto.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research. Dados complementares de Reuters, B3, Anbima e Exame.