Center News | Night Call | Quarta feira, 2 de setembro de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou a quarta feira com forte valorização dos ativos locais, contrariando um ambiente externo ainda marcado por tensão geopolítica, petróleo elevado e preocupação com juros globais. A combinação entre fluxo estrangeiro, queda do dólar, fechamento da curva de juros e repercussão do cenário eleitoral levou o Ibovespa ao maior nível em cerca de quatro meses.
Brasil
O Ibovespa fechou em forte alta de aproximadamente 3,05%, aos 185,2 mil pontos, após alcançar a região dos 186 mil durante o pregão. O movimento marcou a décima primeira sessão consecutiva de valorização e contou com participação relevante de bancos, Vale e Petrobras.
O dólar comercial encerrou próximo de R$ 5,08, com queda de cerca de 1,31% frente ao real. Os juros futuros também recuaram ao longo da sessão, reforçando a percepção de redução do prêmio de risco doméstico.
O principal catalisador local foi a nova pesquisa Quaest. O levantamento mostrou Lula com 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% de Flávio Bolsonaro, enquanto o cenário de segundo turno indicou empate técnico. O mercado interpretou a disputa mais competitiva como um fator capaz de aumentar a discussão sobre disciplina fiscal e política econômica nos próximos meses.
Na atividade econômica, a produção industrial brasileira avançou 0,2% em julho frente a junho, interrompendo dois meses de retração. Apesar da melhora mensal, a leitura permaneceu moderada e reforça os sinais recentes de desaceleração da economia brasileira.
Internacional
Nos Estados Unidos, o mercado de trabalho privado mostrou perda de força. A ADP apontou criação de 38 mil vagas em agosto, abaixo da expectativa de 48 mil e também abaixo dos 46 mil postos revisados de julho. O dado adicionou evidências de desaceleração do emprego, embora o cenário inflacionário continue dificultado pela alta da energia.
Wall Street apresentou recuperação durante a sessão, apoiada principalmente por ações ligadas à tecnologia e inteligência artificial. Ao mesmo tempo, os rendimentos dos Treasuries permaneceram elevados, com a taxa de dez anos chegando a superar 4,8% durante o dia.
O petróleo continuou como um dos principais pontos de atenção. O Brent fechou próximo de US$ 95,63 por barril, com alta superior a 1%, refletindo a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã e os riscos para o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz. O movimento amplia a preocupação com inflação global e pode limitar o espaço para flexibilização monetária nas principais economias.
Na Europa, as principais bolsas terminaram em queda. Londres recuou 0,3%, Frankfurt caiu 0,49% e Paris perdeu 0,26%, pressionadas pelo avanço recente dos juros soberanos e pelo impacto dos preços mais altos de energia.
Empresas & Setores
Os bancos tiveram papel importante na valorização do Ibovespa. Banco do Brasil chegou a avançar mais de 5% durante a sessão, enquanto Itaú, Bradesco e outras instituições também registraram ganhos relevantes. Vale acompanhou o movimento positivo, mesmo diante de um desempenho menos favorável do minério de ferro.
Petrobras avançou com o suporte adicional da alta do petróleo internacional. O ambiente de preços elevados da commodity aumenta a geração potencial de caixa das produtoras, ainda que também traga riscos inflacionários para a economia global.
Magazine Luiza esteve entre os destaques do pregão após anunciar parceria comercial com o Mercado Livre. Azzas 2154 também registrou forte valorização depois de comunicar uma reorganização societária que prevê a separação das operações Arezzo&Co e SOMA.
Outro destaque estrutural foi o Redata. O Senado aprovou o regime especial de tributação para data centers, que agora segue para sanção presidencial. A medida prevê incentivos tributários para equipamentos destinados ao setor e pode ampliar o interesse de grupos globais em infraestrutura digital no Brasil.
Insights da nossa mesa
A sessão mostrou um descolamento importante entre Brasil e exterior. Enquanto os mercados globais ainda convivem com petróleo elevado, Treasuries pressionados e risco geopolítico, os ativos brasileiros receberam fluxo comprador expressivo.
A combinação entre Bolsa em forte alta, dólar próximo de R$ 5,10 e fechamento dos juros mostra redução do prêmio de risco no curto prazo. Ao mesmo tempo, uma valorização tão rápida exige disciplina. Depois de onze sessões consecutivas de alta, movimentos de realização tornam se naturalmente mais prováveis.
Para o investidor brasileiro, o cenário continua favorecendo diversificação. A renda fixa permanece oferecendo taxas relevantes, enquanto a Bolsa recupera atratividade com entrada de capital e melhora das expectativas locais. Nos próximos pregões, dados de emprego dos Estados Unidos, trajetória do petróleo e evolução do cenário eleitoral brasileiro devem continuar determinando a direção dos mercados.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research.