Night Call – 31/08/2026

Night Call – 31/08/2026
Center News Night Call | Segunda feira, 31 de agosto de 2026
Boa noite! O mercado brasileiro encerrou agosto em alta no pregão, apoiado principalmente pelo setor de petróleo, enquanto o ambiente externo permaneceu mais cauteloso diante da escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, da valorização do petróleo e da abertura das taxas dos Treasuries.
Brasil
O Ibovespa avançou 1,00%, aos 177.418 pontos, em seu nono pregão consecutivo de alta. Petrobras foi um dos principais vetores do índice, com PETR4 subindo 3,08%, beneficiada pela forte valorização do petróleo. Apesar da recuperação recente, o Ibovespa terminou agosto com queda de aproximadamente 0,32%.
O dólar comercial encerrou a sessão próximo de R$ 5,18, com queda de 0,12%. No acumulado do mês, contudo, a moeda americana registrou valorização frente ao real, em um período marcado por maior volatilidade externa e saída de recursos do país.
Na curva de juros, os vencimentos curtos apresentaram leve abertura. O DI para janeiro de 2028 terminou em 13,815%, alta de 4 pontos base, enquanto o DI para janeiro de 2035 ficou em 14,58%, praticamente estável, com pequena queda de 1 ponto base. O mercado combinou o noticiário eleitoral doméstico com o avanço dos rendimentos dos títulos americanos.
O Boletim Focus trouxe uma pequena melhora nas projeções para 2026. A expectativa para o IPCA caiu de 5,02% para 5,01%, enquanto a previsão de crescimento do PIB recuou de 1,95% para 1,92%. As estimativas para Selic e dólar permaneceram em 13,75% ao ano e R$ 5,20, respectivamente.
Na frente fiscal, o setor público consolidado apresentou superávit primário de R$ 1,361 bilhão em julho, abaixo da expectativa de mercado de R$ 6,6 bilhões. No acumulado de janeiro a julho, o déficit primário chegou a R$ 78,835 bilhões, equivalente a 1% do PIB.
O Projeto de Lei Orçamentária de 2027 também entrou no radar dos investidores. A proposta prevê, entre outros pontos, salário mínimo de R$ 1.741 e maior atenção à composição dos gastos públicos, mantendo a discussão fiscal como fator relevante para os ativos brasileiros.
Internacional
Wall Street encerrou o dia no campo negativo. O S&P 500 recuou 0,33%, o Dow Jones caiu 0,70% e o Nasdaq perdeu 0,12%. A pressão veio principalmente da alta do petróleo e do receio de que novas pressões inflacionárias reforcem uma postura mais restritiva do Federal Reserve.
O rendimento do Treasury americano de dez anos avançou para a região de 4,75%, atingindo os maiores níveis desde janeiro de 2025. O movimento reflete tanto o aumento do prêmio de risco associado ao petróleo quanto a percepção mais dura sobre inflação após as recentes sinalizações do presidente do Fed, Kevin Warsh.
O petróleo Brent voltou a superar US$ 90 por barril após novos confrontos envolvendo Estados Unidos e Irã. O movimento elevou as preocupações com o Estreito de Ormuz e com possíveis impactos sobre oferta global, inflação e política monetária.
Na Europa, o ambiente também foi negativo. O DAX caiu 1,09%, o CAC 40 recuou 0,79% e o Ibex 35 perdeu 0,29%. Empresas ligadas a energia apresentaram maior resistência diante da valorização do petróleo.
Empresas & Setores
O setor de petróleo foi o principal destaque positivo da Bolsa brasileira. Petrobras acompanhou a disparada da commodity e ajudou diretamente o avanço do Ibovespa. A XP destacou que petróleo e as sinalizações mais duras do Federal Reserve estavam entre os principais temas para os mercados nesta sessão.
Natura também chamou atenção após anunciar mudança em sua liderança. Alessandro Carlucci voltará ao comando da companhia a partir de outubro, notícia que levou NATU3 a registrar forte valorização durante o pregão.
No setor de óleo e gás independente, a XP estima que a produção da PRIO tenha recuado em agosto para cerca de 181,7 mil barris por dia, enquanto a produção da Brava Energia deve ficar próxima de 61,4 mil barris por dia, refletindo principalmente questões operacionais específicas.
Insights da nossa mesa
O fechamento de hoje mostrou uma dinâmica importante para o investidor brasileiro. Mesmo com o ambiente externo mais adverso, o Ibovespa conseguiu avançar apoiado pelo peso das empresas ligadas ao petróleo. Isso evidencia como a composição setorial da Bolsa brasileira pode funcionar como amortecedor em determinados episódios de estresse global.
Por outro lado, petróleo acima de US$ 90, Treasuries próximos de 4,75% e um Federal Reserve mais atento à inflação exigem cautela. Esse conjunto pode manter os juros globais elevados e reduzir o espaço para movimentos mais consistentes de valorização dos mercados emergentes.
No cenário doméstico, a combinação entre desaceleração gradual das expectativas econômicas, inflação ainda acima da meta e incerteza fiscal sugere que a seleção de ativos continua mais relevante do que uma exposição indiscriminada ao risco. O próximo ponto de atenção será o PIB brasileiro, com divulgação prevista para terça feira, além dos indicadores de trabalho americanos ao longo da semana.
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Fontes: Valor Econômico, InfoMoney, Bloomberg Línea, XP Research e Reuters.

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